Ministro do Ambiente inaugura ETAR em Torres Novas

by Inês Gromicho | 28 Julho 2015 15:54

O ministro do Ambiente inaugurou duas Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) em Riachos e Torres Novas e garantiu que vai haver “mão pesada” para os poluidores que mantiverem práticas ilegais, anunciando um reforço dos meios inspetivos para detectar quem polui os cursos de água em Portugal. As obras consideradas fundamentais para a despoluição do Rio Almonda e para a preservação do Paúl do Boquilobo, foram realizadas pela empresa municipal Águas do Ribatejo nos sistemas de saneamento de águas residuais de Riachos e Torres Novas e custaram cerca de 8 milhões de Euros, cofinanciados através do programa POVT da União Europeia (UE).

Segundo Jorge Moreira da Silva, “o investimento e a infraestruturação nestas ETAR é condição necessária, mas não suficiente, para assegurar a qualidade das (…) massas de água e em boas condições ecológicas e químicas”, pelo que realçou a “importância dos meios e capacitação técnica e humana” dos mesmos para o” reforço de ações de inspeção” e fiscalização. “Desengane-se quem pensa que é possível pensar continuar a produzir e a gerar atividades económicas continuando a fazer descargas ilegais, à espera que ninguém note. Terá um grande azar quem assim pense, porque hoje existe grande competência ao nível técnico e humano para, rapidamente, identificar e responsabilizar os prevaricadores”, frisou.
O ministro do Ambiente destacou as 500 ETARs construídas nos últimos sete anos, afirmando estarem previstos cerca de 634 milhões de euros para investimento em água e tratamento de águas residuais, no próximo Quadro Comunitário de Apoio (Portugal 2020). “Hoje temos 50% das massas de águas em condições favoráveis, ao nível ecológico e químico, até 2020 queremos chegar aos 80%, e, até 2027, alcançar os 100%”, sublinhou. Moreira da Silva disse, ainda, que “Portugal está em seca meteorológica e não hidrológica”, tendo observado que existem “reservas suficientes” de água nas albufeiras nacionais. “Das 60 albufeiras que monitorizamos em Portugal, 20 delas estão com 80% de armazenamento e as restantes 40 estão a cerca de 40%, mas temos de garantir a boa utilização destas reservas, a bem da população, em períodos de estiagem”, destacou.

Pedro Ferreira, presidente da Câmara de Torres Novas, considerou a obra como “fundamental para terminar com os diversos episódios causados por focos de poluição” na bacia do Almonda, com consequências numa zona de grande sensibilidade ambiental como é o Paúl do Boquilobo, que integra a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO. Já o presidente da Câmara Municipal de Torres Novas sublinhou a importância das empresas instaladas no concelho, mas alertou que não pode valer tudo. “Por mais empregos que garantam e por mais riqueza que criem, nenhuma empresa que promova ataques ambientais será uma mais valia para o concelho”, disse. “Queremos empresas de qualidade, que criem emprego e valor, mas que sejam amigas do ambiente. Com a entrada em funcionamento destas ETARs já se nota uma melhoria  significativa na Vala das Cordas e nas ribeiras que desaguam no Rio Almonda, mas não basta ter este sistema de tratamento, é necessário eliminar todas as outras fontes poluentes”, acrescentou.
O presidente da Águas do Ribatejo, Francisco Oliveira, também presidente da Câmara Municipal de Coruche destacou que os  equipamentos inaugurados ontem reflectem as  preocupações e a sensibilidade dos autarcas que criaram e que deram vida à empresa municipal. “A AR já investiu 13 milhões de euros em Torres Novas e contamos investir 30 milhões, um investimento que só foi possível neste modelo de gestão em que a solidariedade intermunicipal está bem vincada”, referiu. “Os equipamentos e infraestruturas que inaugurámos custaram 8 milhões de euros, mas concluímos também obras na Brogueira, Vale da Serra e Casal João Dias.” explicou. Francisco Oliveira disse que esta inauguração “é o iniciar de um novo ciclo em que Ministério do Ambiente, APA, Inspeção Geral do Ambiente,  autarquias, empresas e cidadãos assinam um pacto de compromisso em procurar soluções para despoluição do Rio Almonda  e para a preservação do Paul do Boquilobo, Património Natural de enorme valor, que integra a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO.”
Estas duas intervenções, de grande envergadura, nomeadamente nos subsistemas de saneamento de Riachos, com um emissário de quase 2 quilómetros, e de Torres Novas, estão preparadas para um universo temporal de vinte anos e para uma população equivalente de 35.000 pessoas em Torres Novas e 40.000 em Riachos, no final do horizonte do projeto.

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