Ministro do Ambiente questiona “uso abusivo” e “pouco sensato” do plástico

Ministro do Ambiente questiona “uso abusivo” e “pouco sensato” do plástico

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (ARHESP) foi a anfitriã da sessão de lançamento da campanha “Menos Plástico, Mais Ambiente” que resulta do Aviso (Dure) do Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente sobre “Repensar os Plásticos na Economia: Desenhar, Usar, Regenerar”.

A campanha abrange todo o território nacional e inclui ações no terreno em várias cidades do país. “Vamos fazer um levantamento e diagnóstico do consumo de plástico, disseminação de informação através de um site e das redes sociais, presença de brigadas de promotores da iniciativa que farão a recolha de plásticos em alguns festivais de música do país, feiras e praias, promoção de passatempos, realização de um roadshow nacional e uma rede de estabelecimentos de restauração e alojamento que promovam e pratiquem um conjunto de boas práticas em matéria ambiental”, explica Carlos Moura, vice-presidente da AHRESP.

A sala do Hotel do Palácio do Governador foi o palco desta sessão que ficou marcada pelos vários apelos feitos pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes: “continuamos a assistir a uma escalada de produção e de consumo de plástico feita a partir de matérias-primas virgens e fósseis, e continuamos a encontrar nas zonas mais profundas dos oceanos esta marca de atividade económica que é o plástico.”

O Governo Português definiu como prioridade em matérias políticas públicas de ambiente reforçar as ações para promover a transição para uma economia circular e que em 2030 todas as embalagens de plástico colocadas no mercado da União Europeia devam ser reutilizadas ou recicladas de forma economicamente eficiente.

Na cerimónia, o ministro lembrou que, em 2014, cerca de 4% do consumo de petróleo foi direcionado para o consumo de plástico e, no ano 2050, será 20%, alertando para as consequências deste material no planeta. “Um plástico demora em média um segundo a ser produzido, tem 20 minutos de vida útil e leva 450 anos a decompor-se. De todo o plástico produzido a nível global, apenas 10% é reciclado, enquanto 3% vai para os custos de água e oceanos. Não consigo deixar de questionar o uso abusivo e muitas vezes pouco sensato deste material.”

A campanha “Menos plástico, Mais ambiente”, que vai decorrer entre maio e outubro deste ano, irá sensibilizar empresários, consumidores, turistas, entidades institucionais e governamentais, bem como órgãos de comunicação social. No final da campanha, “será feita uma conferência final, onde iremos apresentar todos os resultados obtidos: número de restaurantes que aderiram, quantos quilos de plástico serão recolhidos. No geral serão apresentados os principais resultados de todas as ações desenvolvidas”, explica Pedro Carvalho, diretor do Departamento de Investigação, Planeamento e Estudos da AHRESP.

No final da cerimónia, João Pedro Matos Fernandes mostrou uma grande satisfação na existência destes projetos, terminando com mais um apelo: “a reciclagem é uma resposta, mas não pode ser a única resposta. Esta é uma responsabilidade de quem investiga, de quem regula, de quem concebe, de quem faz, de quem usa e de todos, porque somos todos nós que deitamos fora.”