A Minsait acaba de apresentar uma nova solução tecnológica para a conservação de morcegos nas proximidades de parques eólicos. Após mais de seis meses de testes, a solução apresentou resultados muito positivos, em linha com a legislação europeia que exige, entre outras medidas, o encerramento de aerogeradores com elevada incidência de colisões com espécies protegidas, como aves ou, neste caso, morcegos.
A solução desenvolvida, denominada BatMonitor, combina câmaras térmicas, inteligência artificial (IA) e automação com um duplo objetivo: reduzir a mortalidade de morcegos provocada pelas turbinas eólicas que, segundo os resultados registados, pode diminuir em 85%, e melhorar a eficiência operacional da indústria eólica, evitando paragens preventivas graças à sua fiabilidade na deteção de espécimes.
A solução está ainda a ser apresentada no evento anual da WindEurope, a principal associação europeia de energia eólica, que reúne mais de 500 empresas e 16.000 profissionais para apresentar as mais recentes tecnologias eólicas onshore e offshore.
Como funciona?
Ao contrário de outros sistemas baseados em luz ou ultrassons, a solução desenvolvida pela Minsait é fiável em todos os tipos de circunstâncias, seja em condições meteorológicas adversas ou com baixa visibilidade. Esta taxa de sucesso é possível graças à sua câmara térmica que, a meio da noite, num dia de nevoeiro ou sob luzes ofuscantes, consegue captar a temperatura e a capacidade dos corpos emitirem energia radiante, para determinar se correspondem a morcegos.
A inteligência artificial intervém em duas fases do processo. A primeira consiste na visualização e análise avançada da imagem em tempo real. Na segunda, se o algoritmo detetar movimento devido ao voo e ao contorno do animal, ativa um desligar automático, enviando um alerta para o software Babel para que este possa enviar o comando para o sistema de controlo da turbina eólica (SCADA).
O Babel atua como tradutor. Este software é capaz de interpretar as diferentes linguagens ou protocolos utilizados nos parques eólicos, independentemente do sistema SCADA das suas turbinas, para se adaptar a todos os tipos de condições de funcionamento sem perder a sua eficácia. Além disso, o sistema permite a extração de dados de deteção, desligamentos e vídeos gerados ao longo de todo o processo, essenciais para responder a auditorias ambientais que monitorizam o cumprimento dos requisitos de proteção de todas as espécies de morcegos, consideradas fundamentais para a promoção da biodiversidade.
Os testes a que o sistema de deteção de morcegos da Minsait foi sujeito, em diferentes alturas do ano, demonstram um desempenho muito elevado. De acordo com os resultados dos testes realizados para verificar a sua eficácia, a solução tem uma elevada capacidade de deteção de morcegos e permite a avaliação precisa do momento em que um morcego se aproxima, possibilitando a paragem da turbina eólica e a prevenção de colisões com as pás. Assim é possível evitar desligamentos preventivos e aumentar a disponibilidade para a geração de energia.
Radar, vídeo inteligente e algoritmos para proteger a avifauna
A solução para reduzir a mortalidade dos morcegos causada pela ação das turbinas eólicas tem como antecedente outra inovação desenvolvida pela Minsait, capaz de evitar 80% das colisões (com tendência para zero) de aves protegidas durante o seu voo através dos parques eólicos.
Neste caso, um radar 3D deteta aves no espaço aéreo do parque eólico e monitoriza a sua trajetória num mapa, independentemente das condições de visibilidade (24 horas por dia, 365 dias por ano).
Uma vez confirmada a presença de uma ave, a visão por computador identifica a espécie através de critérios ornitológicos de classificação.
De seguida, o algoritmo determina as possíveis trajetórias de aproximação e emite alertas de paragem para as turbinas eólicas com elevado risco de colisão. As empresas de energia eólica que possuem esta solução dispõem ainda de um sistema de monitorização com métricas quantificáveis, gráficos e vídeos que facilitam a análise e o estudo da presença de aves num parque eólico e a sua interação com o mesmo.







































