“Não é tempo de olhar para o passado e dizer que já fazemos muitas coisas”, atenta CEO da SPV

“Não é tempo de olhar para o passado e dizer que já fazemos muitas coisas”, atenta CEO da SPV

Duplicar a circularidade global nos vários setores da indústria é um dos desafios que Portugal tem pela frente. Na conferência virtual “Por uma Europa Verde – O Contributo das Empresas Portuguesas”, promovida, na passada quinta-feira, dia 18 de fevereiro, pela CIP (Confederação Empresarial de Portugal), em parceria com a EY-Parthenon, ficou claro o contributo da Sociedade Ponto Verde (SPV) para tal desígnio. 

Ana Isabel Trigo Morais, CEO da SPV, iniciou a sua intervenção, enfatizando que a economia circular é praticada pela entidade há 25 anos. No entanto, o tempo “não é de olhar para o passado e dizer que já fazemos muitas coisas”, diz, destacando que na SPV “estamos todos focados numa aceleração da economia circular e numa aceleração das medidas e dos modelos de negócios que temos de implementar”, até porque “a ambição é grande e o desígnio é muito desafiador para toda esta cadeia de valor”.

Para além da “inovação” através das “políticas de investigação” e de “desenvolvimento em projetos” que “melhorem a eficiência e eficácia da cadeia de valor”, a estratégia da SPV assenta ainda num “conceito novo” e “crítico” para o futuro próximo, que passa exatamente por “criar conhecimento” e, ao mesmo tempo, “aplicar o conhecimento desenvolvido” ao serviço das empresas para se chegar, mais rapidamente, à economia circular, explica. E se é fundamental “saber para onde queremos ir” é, igualmente, fundamental “saber onde estamos”, atenta a CEO da SPV, destacando que “os instrumentos de medição” são essenciais para o “desenho das políticas para aplicação nas empresas”.

A SPV tem em marcha vários projetos que se traduzem em “ferramentas de circularidade” que vão ajudar as empresas num melhor desempenho ambiental. Um desses projetos vai ajudar as empresas a fazer uma “checklist” de forma a “avaliar a circularidade e o design das embalagens que as empresas estão a usar” permitindo-lhes “conhecer quais seriam as alternativas que poderiam encontrar no mercado”, explica a responsável. Além disso, vai permitir ainda que “as empresas simulem e que conheçam modelos práticos” e adaptados à realidade das empresas e do tecido empresarial: “Levar ao conhecimento dos decisores das empresas aqueles que são os modelos de negócio que podem vir a usar para introduzir os princípios da economia circular e trazer com isto um racional à sua atividade e negócio”. E, por fim, vai centrar uma “ferramenta crítica” que tem que ver com uma “análise ambiental da circularidade das embalagens”, ou seja “analisar o perfil ambiental de cada uma das embalagens, medindo o CO2 ou o desempenho de circularidade”, avança. Um outro projeto que a SPV está a levar a cabo centra-se em “desenvolver medidas e protótipos” que permitam acelerar a “adoção de novas embalagens para que possam ser melhor utilizadas, melhor recicladas e melhor transformadas”. Ana Isabel Trigo Morais destacou um outro que se centra num “sistema de gestão de resíduos urbanos”, permitindo às empresas quantificar custos, taxas de reciclagem e emissões de gases: “Queremos extrair aquilo que são orientações para quem quiser conosco promover a economia circular e adotar boas práticas”, sustenta.

Como notas finais, Ana Isabel Trigo Morais destacou a importância do setor estar unido: “Temos de perceber que temos que nos ajudar uns aos outros”. E um dos desafios passa, exatamente, por “pegar nos indicadores que existem e ir mais fundo, tendo indicadores que nos permitam medir o impacto destes investimentos que vamos fazer”, diz. A CEO da SPV destacou também a importância do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que, através das agendas mobilizadoras, vi trazer para a industrialização uma grande oportunidade de olhar para o conceito da economia circular: “Temos de fazer desta oportunidade um meio para fazer chegar as empresas não só o conhecimento, mas também os meios necessários para que se possam adotar estes novos desígnios e para que as empresa possam ter instrumentos de financiamento para poderem praticar a economia circular”.

Cristiana Macedo