Natureza europeia ameaçada no pior ano já registado em matéria de incêndios florestais, diz relatório

by Cristiana Macedo | 30 Outubro 2020 15:23

O Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (CE) apresentou, esta sexta-feira, a 20.ª edição do seu relatório anual sobre os incêndios florestais na Europa, no Médio Oriente e no Norte de África, relativo a 2019. No pior ano em matéria de incêndios florestais a nível mundial na história recente, “arderam mais de 400 mil hectares (ha) de terrenos naturais na Europa” e “um número recorde de áreas naturais protegidas foram afetadas por incêndios florestais”, refere o boletim informativo da CE

De acordo com as conclusões do relatório, as alterações climáticas continuaram a afetar a extensão e a gravidade do risco de incêndio na Europa: “em março, ainda antes da ´época de incêndios` na maior parte dos países, a área total ardida da UE era já superior à média anual dos últimos 12 anos”. Contudo, graças a uma “melhor preparação” e a uma “resposta mais eficiente”, a época de 2019 foi uma das “melhores de sempre em termos de prevenção de acidentes e de perda de vidas humanas”, diz o mesmo relatório.

Principais conclusões do relatório

Pode ler-se no boletim da CE, que o mapeamento rápido do serviço de gestão de emergências Copernicus foi ativado 35 vezes para ajudar a combater os incêndios florestais em 2019, o que representa o maior número de ativações já registado. Por seu turno, o Mecanismo de Proteção Civil da UE foi ativado cinco vezes para incêndios florestais e reforçado, em 2019, com o rescEU, uma nova reserva europeia de recursos, que inclui helicópteros e aviões de combate a incêndios.

A Estratégia para a Biodiversidade proposta em maio no quadro do Pacto Ecológico Europeu prevê ações para melhorar a saúde das florestas europeias e reforçar a nossa resiliência aos incêndios florestais, e inclui o objetivo de plantar, pelo menos, 3 mil milhões de árvores até 2030.

Mariya Gabriel, comissária da Inovação, Investigação, Cultura, Educação e Juventude, e responsável pelo Centro Comum de Investigação, refere que, “durante mais de 20 anos, o Centro Comum de Investigação trabalhou com países de toda a Europa para fornecer os dados mais atualizados em matéria de fogos florestais, contribuindo para os esforços de prevenção e atenuando os efeitos devastadores dos incêndios quando ocorrem. A evolução das condições meteorológicas associada às alterações climáticas aumentam o risco de incêndios florestais a nível mundial. Os conhecimentos e os dados científicos são essenciais para tomar as medidas mais eficazes, a fim de prevenir estes incêndios, proteger as nossas florestas, preservar a biodiversidade e salvar vidas”.

Por sua vez, Virginijus Sinkevičius, comissário do Ambiente, Oceanos e Pescas, destaca que “os europeus têm visto imagens terríveis de incêndios florestais na costa ocidental dos EUA, na Sibéria, na Austrália e na Amazónia mas os incêndios também afetam gravemente as florestas na Europa. Parte da resposta para evitar que os incêndios atinjam uma escala tão devastadora reside na proteção e gestão das nossas florestas, de forma a reduzir a sua vulnerabilidade aos incêndios, permitindo à natureza proteger-se a si própria”.

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