No Centro Bio, há vida para lá dos fogos florestais

by Inês Gromicho | 5 Setembro 2016 10:39

Em Oliveira do Hospital, no interior do distrito de Coimbra, há um projeto nomeado para um prémio europeu que pretende alterar esta paisagem através do estímulo da bio-economia.

O projeto Centro Bio, da incubadora BLC3, atua na área das bio-indústrias, bio-refinarias e bio-produtos, ou seja, pretende criar oportunidades de negócio a partir da floresta, enquanto contribui para a diminuição dos incêndios florestais. E é o único projeto português na lista de finalistas da edição de 2016 dos Prémios Regiostars, promovidos pela Comissão Europeia, tendo a criação de uma nova infra-estrutura tecnológica sido a base para a sua nomeação, indica o Público.

A BLC3 – nome que deriva de Biomassa Lenho-Celulósica de 3ª Geração, é uma associação integrada numa rede de investigação internacional, e que tem como fundadores o Biocant, de Cantanhede, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital, o Instituto de Catálises e Petroleoquímica do Conselho Superior de Investigação Científica de Espanha, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, a Câmara de Oliveira do Hospital e as universidades de Coimbra e do Minho. Com um investimento global de 3,1 milhões de euros, o Centro Bio é financiado a 85% pelo Programa Operacional Regional do Centro, sendo que os restantes 15% provêm da autarquia de Oliveira do Hospital (60 mil euros) e de receitas próprias da BLC3.

A premissa por detrás do Centro Bio não é complexa: se os terrenos incultos e matos forem utilizados para atividade económica, essa mesma atividade vai, por si só, ajudar a diminuição do número de fogos e da sua dimensão. De acordo com João Nunes, fundador e presidente da BCL3, o projeto, para além de “valorizar o território” com modelos de negócio de “elevado grau tecnológico”, ajuda a “resolver o problema dos incêndios florestais”, o que corresponde a um “papel social”.

“Se olharmos para o mapa das ocorrências dos incêndios em Portugal, a zona do Alentejo nunca tem muitas”. O responsável expõe que, apesar de ser uma região mais seca e mais quente, a atividade do setor primário é muito maior que no Norte do país.

Através das bio-refinarias, o projeto resolve várias questões: o aproveitamento económico dos terrenos, a dinamização do interior do país, a dependência energética dos territórios e a diminuição do risco de incêndio. Uma das propostas é a produção de bio-combustível através dos materiais de terrenos agrícolas e florestais. Em construção está já a unidade de demonstração industrial, no campus da BLC3, para testar o projeto na prática. O objetivo é ambicioso e propõe-se criar em Oliveira do Hospital e nos concelhos vizinhos de Arganil, Góis e Tábua uma “total autonomia energética mecânica”, substituindo a importação de petróleo pelos recursos regionais.

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