Número de animais abandonados não pára de aumentar

Número de animais abandonados não pára de aumentar

O flagelo dos animais abandonados não pára de aumentar e no inicio de mais um período de férias teme-se um novo pico, avança o Jornal de Notícias. Os dados oficiais da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária confirmam que há cada vez mais animais entregues à sorte. Em 2003, os centros de recolha oficiais receberam 22184 cães e 5327 gatos. Em 2014, subiram para 26 035 cães e 7758 gatos. Desses, em 2013 foram para eutanásia 14 658 animais e, em 2014, 14279. Ainda não há dados definitivos do primeiro semestre de 2015, mas a realidade contada pela GNR e associações dá conta que a escalada continua.

No Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (Sepna) da GNR, o número de denúncias envolvendo animais de companhia “aumentou em 2015”, assegura o major Vaz Alves ao Jornal de Notícias. Entre Outubro de 2014 e Junho de 2015, o Sepna teve 2239 denúncias, que permitiram a instauração de 2240 autos de contraordenação e a abertura de 74 inquéritos por crime, 51 dos crimes foram casos de maus-tratos e 23 de abandono.

Por todo o país, associações de defesa dos animais dizem que o abandono não pára, mas já não lhe conseguem dar resposta. Ficam com a maioria dos animais sem dono e estão no limite da capacidade. Exemplo disso é a Animal, uma das maiores organizações portuguesas de defesa dos direitos dos animais, que, só nos primeiros 23 dias de Julho, recebeu 606 denúncias referentes a maus-tratos ou abandono, conta a presidente, Rita Silva, ao Jornal de Notícias. Rita diz que por vezes até “abandonam os animais em casa, sem comida ou cuidados”. “O flagelo continua a aumentar em 2015 e parece não ter fim. Damos um, aparecem quatro, Raramente têm chip”, conta Marta Girão, da Afectu, uma associação de Aveiro com 100 animais no abrigo, dezenas em famílias de acolhimento e uma dívida de 10 mil euros a uma clínica veterinária. Em Matosinhos, a Cão Vida teme perder o terreno onde guarda os animais, por esta zona de reserva. “Não temos solução e os pedidos não param”, desabafa Ana Ceriz.