O que é que falta a Lisboa para ser mais verde e mais saudável?

O que é que falta a Lisboa para ser mais verde e mais saudável?

Realizou-se esta terça-feira, no âmbito da iniciativa Lisboa Capital Verde 2020, a conferência: “Lisboa mais verde e mais saudável: os desafios da poluição atmosférica”. Esta conferência teve como foco efetuar um diagnóstico da cidade ao nível das políticas ambientais, avaliar o impacto do ambiente urbano na saúde, no bem-estar da população e na economia da cidade, e ainda analisar os efeitos nocivos na saúde por fatores de contaminação ambiental.

José Sá Fernandes, vereador do Ambiente, Clima e Energia e Estrutura Verde da Câmara Municipal de Lisboa (CML), evidenciou aquelas que foram as questões que merecem mais atenção por parte da CML, começando desde logo pela “falta de dados e de estudos” que permitam conhecer melhor a cidade: “Sem os dados não podemos informar os cidadãos e não podemos ter políticas corretas para atacar determinado tipo de problemas”. Depois o “comportamento” é um outro tema que se revelou muito importante ao longo da conferência: “Nada se faz se não estudarmos o comportamento de cada perante um determinado tipo de situações”. Por fim, as causas e efeitos que são conhecidos mas que, segundo o responsável, falta “relacioná-los de forma mais precisa” para que “melhores decisões” sejam tomadas. Posto isto, Sá Fernandes juntou numa mesa redonda vários especialista que deram a conhecer o seu ponto de vista face a necessidades que Lisboa precisa de dar resposta. 

Apoio e garantia na disponibilidade dos dados

Paulo Nogueira, docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), reiterou pela importância dos dados: “É muito importante que haja uma estrutura que facilite a investigação”. Mas, alertou: “Não podemos deixar os dados num conjunto de sensores e num determinado sítio para depois por falta de financiamento deixam de estar acessíveis”. Assim, o especialista alerta para a necessidade de haver um “apoio” e uma “garantia” em que os dados estão “disponíveis e utilizáveis” tanto agora como no futuro. E a CML pode funcionar como o “garante” da continuidade da disponibilidade dessa informação para todos, sustenta. 

Monitorização do conhecimento do cidadão

Cristina Bárbara, docente no Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (ISAM – FMUL) , reconheceu as “grandes melhorias” que têm sido feitas na cidade, mas alertou que “não nos podemos ancorar só naquilo que melhoramos”. A responsável considera que, atualmente, existem “todos os instrumentos precisos e necessários”, bem como, “pessoas com know-how de diversas áreas”, podendo congregaram-se para perceber se as políticas estão a ser bem implementada na cidade, de forma que Lisboa tenha uma “boa qualidade do ar”. Posto isto, a especialista defende que haja na cidade uma “monitorização” que fosse do “conhecimento do cidadão” em que o mesmo, através do telemóvel, pudesse ajudar e a programar, acreditando que a intervenção individual de cada um acabará por condicionar em menos poluição. E aquela que é ambição da responsável é que se constitua um protocolo com a CML, de modo a ser elaborado a curto-prazo, um estudo sobre as medidas já definidas, comparando zonas onde já estão implementadas e outras onde ainda não o estão, avaliando aos efeitos momentâneos e a longo-prazo.

Relação de confiança entre os cientistas e políticas públicas

Também Margarida Gaspar de Matos, docente no ISAMB – FMUL, destacou que, do ponto de vista da mudança de comportamentos é “sempre motivante” apostar em coisas positivas: “Lisboa está muito interessante”. Por isso, defende que aposta se centre no positivismo, motivando a cidade e, ao mesmo tempo, envolvendo as pessoas na mudança que já está a acontecer. Relativamente aos dados, a responsável considera que não deve existir medo, reconhecendo que, por vezes, são “assustadores para o poder político”. No entanto, reforça que a informação existe no sentido de “melhorar” e nunca o contrário: “Tem que haver uma relação de confiança entre os cientistas e políticas públicas para andarmos para a frente”.

Articulação entre Câmara e Faculdade

Por seu turno, António Vaz Carneiro, também docente no ISAMB – FUML, defende que grandes instituições, como a CML ou a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, deveriam atuar em parceria num “reforço institucional”, no sentido de haver respostas. Neste sentido, seria a faculdade a operacionalizar o conhecimento: “Se articulação for bem feita de lado a lado temos continuamente um conjunto de atividades que vão respondendo seletivamente a todas questões que vão sendo colocadas”, sustenta.

Cristiana Macedo