#Opinião: “Emergência Climática – Ontem já era tarde”

#Opinião: “Emergência Climática – Ontem já era tarde”

Categoria Advisor, Opinião

Vários são os debates, conferências, propostas, projetos que discutem e analisam possíveis soluções para as consequências dos eventos extremos, provenientes das alterações climáticas. É cada vez mais comum, os períodos de seca agravada a alternar com momentos de precipitação desproporcionada. As tradicionais “estações do ano” já nada se assemelham ao que aprendemos no 1º ciclo.

E exemplos não faltam. Sem me focar no período que hoje atravessamos de escassez hídrica, relembro que, por exemplo, com a distância de 200 km e no espaço de 25 dias, entre julho e agosto de 2021, na Alemanha houve cheias devastadoras e no norte de Itália foi atingido um recorde de calor com os termómetros a atingir 49 graus.

Talvez por isso, mas certamente por muitos outros fatores, cada vez mais os portugueses assumem a sua “consciência ambiental”, nomeadamente para com a água, facto comprovado em vários estudos de mercado realizados nos últimos anos, dos quais destaco o que está disponível no Portal da Água1)* gerido pela Águas de Portugal. Vale a pena vê-lo com atenção. E um dos destaques expressos que interessa sublinhar é que os portugueses estão prontos para virar a página do “esforço linear” e ingressar numa sociedade circular e sustentável, do ponto de vista ambiental e hidrológico. Considerando esta perceção, por favor, não os culpem por ser “travão de mudança”, pois existe uma maioria inequívoca em prol das soluções que hoje, já tarde, andamos a discutir para o presente.

Mas a sensação com que ficamos ao constatar as realidades diárias é que hoje é o futuro. Tudo aquilo que pensávamos vir a fazer para prevenir os efeitos extremos das alterações climáticas, devemos fazer agora. Anular o desperdício, criar alternativas hídricas seguras, reaproveitar produtos, reutilizar matérias-primas. Reduzir o desbaste ao Capital Natural do nosso país e construir uma economia circular.

E ter sempre em conta que, de acordo com a United Nations Water, “90% dos eventos climáticos extremos estão relacionados com água” (UN, 2019).

As alterações climáticas encontram-se associadas à imprevisibilidade da precipitação que, quando conciliado com o aumento do consumo, levam à escassez hídrica. Continuar a investir e criar linhas de apoio para a renovação das redes de abastecimento e associar essas redes a tecnologia que permita reduzir as perdas de água é para ontem. No mundo em que vivemos, não faz sentido que em Portugal as perdas de água atinjam cerca de 180 milhões de metros cúbicos por ano.

Poupar água, poupar as fontes naturais de água de abastecimento, é também construir alternativas seguras para consumos não potáveis, com uma escala que permita contribuir positivamente, como alternativa efetiva, no combate aos efeitos extremos das alterações climáticas. Não é futuro… É o que no presente devemos assegurar para nos prepararmos para… o presente!

Sem nunca perder de vista a soma dos esforços individuais que cada um de nós, como cidadãos, devemos seguir para adotarmos comportamentos de poupança de água, como a colocação de redutores nas torneiras, a diminuição da capacidade dos autoclismos, lavar menos vezes o carro entre outras ações, que os nossos filhos tão bem nos ensinam!

O combate às alterações climáticas é a nossa causa comum, de cidadania!

1)* – https://www.adp.pt/pt/comunicacao/publicacoes/?id=42, no estudo “Estudo Nacional sobre as Atitudes e Comportamentos dos Portugueses face à Água”, onde se destaca que 95,8% dos inquiridos encontram-se dispostos para aceitar a “Água Reciclada” em consumos não potáveis como lavagem de ruas, rega de jardins, e outros usos urbanos, agrícolas e industriais. Inclusivamente, a maioria dos inquiridos revelou predisposição para aceitar pagar uma taxa na fatura “da água” para financiar o tratamento dessa água reutilizada, revelando a crescente consciência socioambiental dos portugueses. 

Hugo Xambre faz parte da lista de cronistas da Ambiente Magazine.Todos os meses, o vice-presidente Executivo do Conselho de Administração das Águas do Tejo Atlântico dará o seu testemunho sobre a atualidade no mundo do ambiente.

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Por: Hugo Xambre, vice-presidente Executivo do Conselho de Administração das Águas do Tejo Atlântico