Opinião: “Energia eólica conquista relevância nos EUA”

by Inês Gromicho | 14 Maio 2019 09:36

Por Patrick Schwarz, Senior Advisor da Boyden Global Executive Search

O mercado da exploração offshore de energia eólica nos EUA encontra-se a conquistar relevância, atraindo a atenção de players internacionais e gigantes globais da energia, exemplo da Shell, EDF, Equinor e Orsted. Apesar disso, são ainda vários os desafios identificados para estes projetos e o contexto é de preferência pelo investimento em complexos eólicos no vasto interior do país.

A Vineyard Wind, empresa do Massachusetts, encontra-se num processo que requer permissões e autorizações de mais de 30 entidades, para aprovar um projeto de energia de dois mil milhões de dólares (1.766 milhões de euros). Se tiver sucesso, será a primeira offshore wind farm com escala de utility nos EUA.

Águas rasas, ventos fortes e milhões de consumidores de energia tornam o nordeste dos EUA um local ideal para o desenvolvimento de projetos de energia eólica offshore. Para o local, a cerca de 22km da costa do Massachusetts, a Vineyard Wind propõe uma central de 84 turbinas, capazes de produzir 800 megawatts de energia para os serviços daquele estado norte-americano. “O sistema regulatório é desafiante, litigante e complicado, mas se for possível criar empregos e fornecer energia renovável a preços acessíveis, acredito que esta é uma excelente oportunidade”, confia o CEO Vineyard Wind, Lars Pederson.

O projeto da Vineyard Wind poderá ser um barómetro para o futuro da energia eólica offshore dos EUA, que não é um dos principais elementos do mix energético dos EUA, mas cujo progresso tem acelerado nos últimos anos. Os fabricantes europeus, incluindo a Shell, a dinamarquesa Orsted ou a alemã EnBW, estão ansiosas por estar no mercado norte-americano de energia eólica. A própria Vineyard Wind é uma parceria da Copenhagen Infrastructure Partners e uma subsidiária da espanhola Iberdrola.

Em fevereiro, vários dos gigantes europeus do setor, incluindo a Shell, EDF, Equinor e Orsted foram a concurso para a construção do primeiro projeto de energia eólica offshore do estado de Nova Iorque. Segundo a The Economist há “outros planos, da Virgínia ao New Hampshire, em rápido desenvolvimento”. Mas ao mesmo tempo, os EUA ainda são um mercado de risco para as empresas de energia eólica devido à histórica oposição, principalmente de pescadores e dos milionários proprietários de terrenos na costa. Isto tem levado a que muito do investimento esteja a ser feito na Europa ou em complexos eólicos no vasto interior dos EUA.

Exemplo é o recente contrato assinado entre a EDP Renováveis e 43 cooperativas elétricas e empresas públicas do estado norte-americano do Colorado para venda de energia eólica. O Colorado é o 15.º estado dos EUA a contar com a presença da EDP Renováveis. O plano estratégico 2019/2023 da EDP, que controla 83% do capital social da EDP Renováveis – sedeada em Madrid, prevê um investimento de mais de 12 mil milhões de euros. Destes, quase 7 mil milhões de euros serão para reforçar o investimento em renováveis, com os EUA a receberem a maior fatia (40%), ficando a UE e a América Latina com 30% cada.

Mas nos EUA há ainda outro problema com o desenvolvimento da energia eólica offshore: a incerteza sobre a supply chain necessária à construção de turbinas eólicas. A decisão de investimento resumir-se-á ao rácio risco-benefício para as empresas de energia quando estudam a entrada no mercado eólico dos EUA.

A tecnologia pode mitigar algumas das questões, tornando possível a construção de turbinas maiores e mais afastadas da costa. Uma vez que são grandes e poderosas, são precisas menos turbinas para gerar a mesma quantidade de energia, o que baixa os custos de desenvolvimento e torna a energia mais económica para os consumidores. Há também apoio dos governos estaduais, bem como créditos fiscais a nível federal, mas estes deverão terminar em 2020.

A Wood Mackenzie, uma consultora de energia, químicos, renováveis, metais e mineração, prevê que o crescimento em energia eólica nos EUA abrande depois do fim das deduções fiscais, mas que volte a aumentar em meados de 2020 com os avanços tecnológicos e a melhoria da supply chain.

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