Petição contra exploração de petróleo em Aljezur entrou no Parlamento

Petição contra exploração de petróleo em Aljezur entrou no Parlamento

Categoria Ambiente, Energia

Uma associação algarvia entregou ontem no Parlamento 27 mil assinaturas a pedir a suspensão imediata dos contratos para exploração de petróleo em Aljezur, além da avaliação do impacto que esta exploração pode ter, em diálogo com a população. A iniciativa, promovida pela Associação de Surf e Atividades Marítimas do Algarve (ASMAA), recebeu o apoio de várias autarquias algarvias e do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN).

Estas entidades opõem-se à atribuição de uma licença de Título de Utilização Privativa do Espaço (TUPEM) relativa ao consórcio GALP/ENI, que pretende explorar petróleo na área de Santola, na Bacia do Alentejo, em Aljezur, e pedem a suspensão imediata dos contratos que foram assinados. O furo de sondagem para procura de petróleo será levado a cabo pelo consórcio GALP/ENI e está marcado para o dia 1 de julho, revela a Lusa.

Entre as várias razões para se opor à licença, a ASMAA aponta na petição pública o valor ambiental, social e económico para o Algarve e todos os seus residente e habitantes da Costa Vicentina, o facto de a zona para onde está prevista a perfuração ter habitats importantes para os animais e a falta de um estudo que tenha em conta o impacto ambiental dessa atividade.

Esta quarta-feira, um grupo de peticionários protestou à frente da Assembleia da República – com cartazes e t-shirts brancas com inscrições como “Nem um furo, nem agora nem no futuro” -, onde foram ouvidos pelo PS, PAN, “Os Verdes”, PS, BE e MPT.

Heloísa Apolónia, de “Os Verdes”, salientou que está para breve a votação no parlamento de projetos de lei de vários partidos sobre o assunto, acrescentando que o seu partido defende a suspensão dos contratos “para que se faça um amplo debate público”. Por outro lado, a socialista Jamila Madeira defendeu ser “importante avaliar” o que existe, pois “fazer um levantamento do que existe é saudável para todos”. “Agora, passar à fase seguinte [da prospeção] é outra história”, disse a deputada, realçando a importância da petição, porque permite “debater com os cidadãos”.

A presidente da ASMAA, Laurinda Seabra, entregou as assinaturas a representantes do gabinete do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, enumerando que a perfuração vai trazer impactos ambientais e económicos, num local onde se vive uma economia baseada no turismo, na pesca e na agricultura. “O impacto é enorme. Se as pessoas não tiverem dinheiro para pagar a renda da casa, pôr comida na mesa e tratar dos filhos e dos netos, o resto não conta”, disse.

Também Pedro Bicudo, da associação SOS – Salvem O Surf, realçou à Lusa que a indústria do petróleo é pesada e das mais poluidoras do mundo, que “faz grandes transformações nas praias e na paisagem”. “Tem um impacto muito mau na paisagem e o surf tem uma grande componente turística e isto é tudo muito mau para o turismo. O que acontece é que o surf é um desporto na natureza e os surfistas gostam de surfar na natureza, não em ambientes industriais”, realçou, afirmando que dezenas de milhares de turistas vão surfar para o Algarve todos os anos, onde há centenas de escolas.

Para protestar contra a licença para este furo de pesquisa de petróleo está marcada para dia 25 de junho uma manifestação, em Aljezur, convocada por vários movimentos.