População de saramugos duplica no fluviário de Mora

O Fluviário de Mora recebeu, no mês de Maio, do Instituto de Conservação da Natureza e das Floresta (ICNF) trinta exemplares de saramugos para a realização de ensaios de reprodução no âmbito do projecto “Plano Acção Saramugo”. A reprodução ex-situ foi bem-sucedida, tendo nascido mais de trinta exemplares da espécie Anaecypris hispanica.

 

O saramugo é uma espécie de peixe conhecida apenas na Bacia Hidrográfica do Guadiana, que sofreu uma redução drástica nos últimos dez anos. A construção de barragens, a poluição causada por descargas e a introdução de espécies exóticas no rio são algumas das causas da redução do efectivo desta espécie. E, sendo uma espécie que corre o risco de extinção e pelo seu carácter único, foi alvo de medidas de protecção. Para a bióloga do Fluviário do Mora, Luísa Sousa, “a reprodução dos saramugos em cativeiro e, no futuro, os repovoamentos desta espécie dulçaquícola poderão ser determinantes para a sua conservação”.

 

O Plano de Acção do Saramugo insere-se no estabelecimento de intervenções prioritárias de conservação da natureza e da biodiversidade, emergentes das orientações da Convenção sobre a Diversidade Biológica e da Estratégia da Comunidade Europeia em Matéria de Diversidade Biológica. Em 2011, foi estabelecido um protocolo entre o ICNF e o Fluviário de Mora para defesa do Saramugo, espécie piscícola continental que se encontra ” em perigo” à escala global, segundo os critérios da IUCN e do Atlas e Livro Rojo de los Peces Continentales de España e “criticamente em perigo” segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, cujas populações sofreram uma diminuição acentuada da sua área de distribuição e dos seus efectivos populacionais entre a década de 70 do século XX e a actualidade.