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Porquê a LIS-Water?

Sendo a governança considerada um dos grandes problemas da água, a LIS-Water surge, enquanto centro internacional sem fins lucrativos, para ajudar a colmatar essa lacuna e para projetar a imagem do país no mundo. Para tal, dedica-se a políticas públicas, regulação e gestão de serviços de abastecimento de água e de águas residuais e pluviais. Em entrevista à Ambiente Magazine, Jaime Melo Baptista, Presidente da LIS-Water, Lisbon International Centre for Water, explica o objetivo deste centro e da sua importância para a prestação destes serviços públicos essenciais.

  • Quais as atividades da LIS-Water?

Promovemos conhecimento e inovação em políticas públicas, regulação e gestão de serviços de águas. Realizamos avaliações estratégicas e elaboramos recomendações para decisores. Proporcionamos formação para profissionais da água. Apoiamos o desenvolvimento de empresas e startups. Promovemos comunicação, consciencialização e envolvimento da sociedade nas questões da água. Contribuímos assim para a melhor governança dos serviços de águas no País e no mundo.

  • Quem são os principais beneficiários?

São políticos, gestores de topo públicos e privados, profissionais e agências de apoio ao desenvolvimento, que necessitam de avaliação, reflexão e aconselhamento para desenvolvimento e implementação de políticas públicas, de regulação e de gestão de serviços de águas. São por exemplo autarcas interessados em desenvolver planos estratégicos para os serviços municipais de águas. São também profissionais e organizações do setor interessados em formação avançada.

  • Que projetos têm em curso?

Apesar da sua juventude, a LIS-Water já desenvolve projetos em quase vinte países da Europa, América Latina, Caraíbas, África e Médio Oriente.

Dou o exemplo do RegWAS LAC, programa destinado a reforçar a prática das políticas públicas e da regulação dos serviços de água e saneamento na América Latina e nas Caraíbas. Resulta de uma colaboração estratégica entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a LIS-Water e a Associação de Reguladores de Água e Saneamento das Américas, com o apoio do Governo de Portugal. Reúne reguladores, organizações internacionais e peritos. Participam mais de 30 reguladores de 15 países. Iniciou-se em 2020 e termina no final deste ano, incluindo um vasto programa de formação.

Outro exemplo é o ProAguas Portugal, programa nacional de formação avançada dos serviços de águas. Constitui uma formação abrangente, combinando teoria com prática, para apoiar uma melhor gestão dos serviços. Também proporciona momentos de reflexão, discussão e convívio. Já foram realizadas cinco edições para diferentes regiões do País, formando cerca de 300 profissionais. Cada edição inclui 48 módulos e tem duração de 72 horas. Abordou questões de política pública, regulação e gestão de serviços, incluindo aspetos técnicos, económicos, financeiros, jurídicos, sociais e ambientais e ainda os novos desafios. Uma edição do ProAguas Cabo Verde decorreu para mais de meia centena de profissionais. Quatro edições ProAguas Açores estão a desenrolar-se atualmente em diversas ilhas na Região.

  • Que expectativas para o futuro?

Muito boas, o início da LIS-Water não poderia ter sido melhor. Pretendemos criar uma nova geração de profissionais nesta área, captando jovens de elevado potencial. Queremos contribuir para uma melhor governança dos serviços de águas para um mundo melhor, e ajudar à maior internacionalização do setor português da água.

Porquê a LIS-Water?

Este artigo foi publicado na edição 92 da Ambiente Magazine.