Portugal Smart Cities Summit: Pandemia traz a necessidade de se debater o “futuro urbano”

Portugal Smart Cities Summit: Pandemia traz a necessidade de se debater o “futuro urbano”

É já amanhã, dia 22 de setembro, que o Centro de Congressos de Lisboa vai abrir portas à edição 2020 do Portugal Smart Cities. Este ano, sob o tema “Saúde e Bem-estar”, o evento que decorre até ao dia 24 de setembro terá uma forte componente digital, sendo esta uma das grandes novidades para esta edição. 

Embora com uma “dimensão mais reduzida”, Elisabete Martins, gestora do Portugal Smart Cities, garante queestamos com o nível de excelência a que já habituamos o mercado”. Mesmo com menos pessoas, a responsável assegura que a “qualidade” tanto ao nível de “expositores” como ao “nível das conferências” e “oradores” está assegurada. Quanto ao balanço que já é possível fazer sobre esta edição, a gestora revela que estão previstos mais de “70 oradores nacionais e internacionais”, presencialmente e na plataforma digital, “divididos pelas seis conferências” com “grandes temas da atualidade” e com uma “visão real para o futuro do território” e para a “economia”.

E porque os novos tempos andam em sintonia com as novas tecnologias, esta edição vai contar com uma forte vertente digital: “A plataforma digital que a Fundação AIP vai implementar em todas as feiras e eventos estará operacional neste evento”, explica a responsável, destacando que “esta inovação” vai permitir “aprofundar o projeto de internacionalização”, dando oportunidade aos “visitantes” e “expositores” de estar em “contacto com compradores” e “empresários estrangeiros” que, por sua vez, “poderão assistir às conferências e consultar os expositores que estão presentes no evento”. Ainda sobre esta nova ferramenta, Elisabete Martins acredita que será “muito importante” no sentido em que “possibilita a troca de contactos e ideias” bem como “às empresas mostrarem o que estão a fazer no que toca às smart cities”.

“Saúde e Bem-estar” é o mote deste ano do Portugal Smart Cities: “Curiosamente, o tema desta edição, que será também tema de uma conferência, tinha sido definido antes da pandemia e vem encaixar perfeitamente na situação atual”. De acordo com a gestora, a mensagem deste ano é na “ótica da necessidade de proporcionar soluções e meios às populações” que permitam o “seu bem-estar”.

Elisabete Martins assegura que o evento faz-se com a “participação ativa de expositores, oradores e visitantes” fisicamente e virtualmente, sendo que a edição 2020 vai contar com um “palco de apresentação de soluções quer a nível de produtos, quer a nível de processos”. Além disso, segundo a gestora, haverá espaço para dar a “conhecer boas práticas neste período” em que os “poderes local, regional e nacional”, o “setor empresarial” e todo o “sistema académico e científico” tiveram de “alterar comportamentos” e “encontrar soluções” que tiveram um grande impacto na vida pessoal e profissional de grande parte da sociedade. 

“Governança, ambiente e sustentabilidade, energia, transformação digital, saúde e bem-estar, mobilidade e I&D” são os temas que estarão em debate ao longo desta edição: “Vão apresentar soluções para um futuro a curto e médio prazo”. Resumidamente, este evento é uma “plataforma entre o mundo académico, o mundo empresarial e os cidadãos. É o espaço para apresentação de soluções que fazem as cidades mais inteligentes”, vinca. Em todas as conferências há uma mensagem de consciencialização face aos diversos temas debatidos: “Autarquias, Empresas e Cidadãos”; “Saúde e Bem-estar nas SmartCities”; “Energylive – Novos modelos para a descarbonização”; “Smart Mobility – Sustainable mobility in challenging times”; “Aqualive – Ambiente, Sustentabilidade e cidades inteligentes” e “Smart Cities”.

O contexto pandémico

Mais do que nunca, “futuro urbano” é um tema que urge ser debatido: “A crise provocada pela Covid-19 fez emergir uma necessidade urgente de repensar o modo como as cidades são pensadas e projetadas e como torná-las mais bem equipadas para impedir propagação de doenças, com mais informação em tempo real e como adaptá-las a novos hábitos de vida. Durante o confinamento, vimos crescer a importância do conceito dos espaços públicos, da mobilidade, dos serviços de saúde, ou das tecnologias”, exemplifica Elisabete Martins. Assim, a situação atual está a dar um “papel de relevo à economia circular”, a basear-se na “reutilização de produtos e materiais”, criando “oportunidades de excelência para o maior crescimento económico das cidades”. 

Para além do foco na “redução do uso do veículo automóvel” que se tem vindo a assistir, há outros hábitos a emergir com grande evidência, diz a gestora, dando como exemplo os resíduos orgânicos que “estão a ser transformados em fertilizantes de qualidade para produção local de alimentos nas áreas rurais e também em edifícios”, construídos a partir de “materiais rastreáveis ​​e recicláveis”, podendo “absorver dióxido de carbono, tratar águas residuais e produzir energia”.

Relativamente às “smart cities, a visão que é traçada pela grande maioria, é a “imagem de uma cidade automatizada e imersa em tecnologia de ponta que nos deixa deslumbrados”. No entanto, tal imagem, só por si, “não está a ganhar tantos adeptos como seria esperado”. De acordo com a responsável, a “tecnologia aplicada às cidades deve ser usada como um meio e não um fim”. E a prova é que, face ao atual contexto, a imagem da “cidade inteligente” está a “mudar de radicalmente”, refere. Cidades como Lisboa, Cascais, Viseu ou Aveiro estão a ter esta abordagem: “Empresas do setor público e privado, universidades e startups estão a resolver concertadamente desafios inesperados, trazidos pela pandemia, às cidades”, vinca.

Não restam dúvidas de que a pandemia veio mostrar o “quão importante é usar a inovação para criar soluções imediatas e sustentáveis” que permitam “utilizar e evidenciar novos serviços e a experiência nas cidades e para os cidadãos”. A partir daí o objetivo é claro: “Combater os grandes desafios sociais e económicos que se avizinham”, lutando por “cidades e populações mais resilientes e inteligentes”, sustenta a gestora.

Portugal Smart Cities 2021

A pensar já na próxima edição, Elisabete Martins deseja, acima de tudo, “recuperar a tendência de crescimento” do evento e, assim, “conseguir continuar a ser o principal evento em Portugal no âmbito das Smart Cities”, com abrangência do “território, empresas e entidades públicas e privadas e dos cidadãos”. A aposta na “internacionalização” vai continuar e será cada vez mais reforçada, no sentido de “fomentar a promoção” e a “valorização da capacidade das empresas nacionais”, que detêm “soluções urbanas inteligentes e integradas” e que pretendam “apostar em novos mercados”, destaca a responsável. Assim, “promover soluções inteligentes” entre os “diferentes stakeholders associados” que contribuam para o “desenvolvimento das cidades, empresas, startups, universidades e centros de I&D, entidades públicas e privadas bem como a sociedade civil” é o grande objetivo traçado pela gestora. 

Orientações para o Portugal Smart Cities 2020:

Todos os interessados podem inscrever-se e assistir online à programação e acompanhar/participar ativamente na plataforma digital. No espaço físico, a organização garante que todas as regras da Direção-Geral de Saúde estão a ser cumpridas, permitindo entrada limitada de visitantes, sendo o acesso atribuído por ordem de inscrição. A participação é gratuita mediante inscrição prévia através do site do evento em: www.portugalsmartcities.fil.pt.

Cristiana Macedo