Preservação e valorização ambiental são estratégia clara do Município de Braga

Preservação e valorização ambiental são estratégia clara do Município de Braga

Assumindo-se como um município preocupado com a preservação e valorização do ambiente, no seu modelo de ação ambiental, Braga tem apostado na reflorestação do Monte do Picoto, o maior parque de floresta autóctone do País, na substituição dos veículos de serviços urbanos ambientais por veículos elétricos, na recuperação das linhas de água no âmbito do Projeto Rios e em vários projetos pedagógicos como o exemplo de sucesso que tem sido a “Ciência Andante”,

O maior parque urbano de floresta autóctone
O Município de Braga obteve a aprovação de um projeto de arborização para o Parque do Monte do Picoto, financiado pelo Fundo Ambiental para a adaptação do território às alterações climáticas (financiamento de 165.916,25€). Este espaço verde de utilização coletiva na zona urbana da cidade, pertence à autarquia e tem vindo a ser alvo de iniciativas de reflorestação envolvendo as escolas, empresas e sociedade civil ao longo dos anos, sendo hoje um local de lazer para a população.

O projeto, que estará concluído até ao final do ano, prevê a plantação de duas mil novas árvores, bem como a eliminação das espécies invasoras ainda existentes, nomeadamente o eucalipto e algumas acácias. A plantação incidirá em diversas espécies autóctones, tais como o Castanheiro, o Carvalho-roble, o Carvalho negral e o Sobreiro, em associação com o Bordo, a Azinheira, o Azereiro, a Pereira brava, o Medronheiro e o Pilriteiro.
O Pelouro do Ambiente do Município de Braga sempre defendeu a reflorestação do Monte Picoto com espécies florestais autóctones, conjugando a vertente de lazer deste espaço com as questões ambientais, através de um aumento da capacidade de captação de carbono e de purificação do ar nesta zona da cidade.

Aquisição de veículos elétricos
Ainda no âmbito de financiamentos comunitários, o Município de Braga apresentou também, em fevereiro de 2017, uma candidatura referente ao apoio à substituição e veículos de serviços urbanos ambientais por veículos elétricos (investimento de 159.585,87€).

Segundo a autarquia, viu-se “nesta candidatura uma excelente oportunidade de resolver alguns constrangimentos de mobilidade nos seus serviços ambientais ao mesmo tempo que fazia uma aposta diferenciadora na mobilidade elétrica e completamente inovadora para o município”. Esta foi a primeira vez que a câmara adquiriu viaturas totalmente elétricas, sendo aprovadas cinco viaturas para os serviços ambientais: uma lavadoura, uma aspiradora e três veículos de transporte de mercadorias e/ou pessoal.

Neste processo, procedeu-se ao abate de quatro viaturas antigas, tendo sido retiradas de circulação veículos com uma média de idades de 30 anos, altamente poluidoras, em fim de vida, que foram substituídas por viaturas elétricas, em prol do ambiente.

Projeto Rios
O Projeto Rios foi, sem dúvida, o maior projeto ambiental do concelho de Braga, que mobilizou centenas de “guardiões” a adotarem troços do Rio Este, o rio que atravessa a cidade. Afim de se garantir a limpeza das suas margens e monitorizarem a qualidade da água, o rio (que tem 45 km de comprimento, dos quais 18 km no concelho de Braga) foi dividido em troços de 500 metros. Identificaram-se em cada uma das freguesias as entidades que se encontravam mais próximas do rio, dando prioridade às de ensino, e efetuaram-se diversas reuniões, atribuindo-se a cada uma das entidades um troço de rio. Entre os desafios lançados no âmbito deste projeto contam-se a limpeza das linhas de água, a plantação e limpeza no Dia da Floresta Autóctone, no Dia da Água ou no Dia da Floresta.

Projeto Ciência Andante
Outro projeto pedagógico em que o Município esta envolvido, é o Projeto Ciência Andante, cujo objetivo é comunicar Ciência aos jovens dos 10 aos 18 anos, utilizando como meio de divulgação palestras, experiências laboratoriais e jogos focando as áreas da Ecologia e da Sustentabilidade Ambiental.

O projeto – desenvolvido pelo Instituto de Ciência e Inovação para a Bio Sustentabilidade (IBS) e o Centro de Biologia Molecular e Ambiental da Universidade do Minho (CBMA) – pretende aumentar os conhecimentos científicos dos jovens e atraí-los para a ciência, e em simultâneo promover a educação para o ambiente e cidadania.

Sabia que…
O Município após o violento incêndio de 2017, adotou um conjunto de medidas que passam pela recuperação das infraestruturas afetadas, o controlo da erosão, tratamento e proteção de encostas, a prevenção da contaminação e assoreamento e recuperação das linhas de água, e a diminuição da perda de biodiversidade.

O incêndio florestal, que perdurou de 12 a 17 de outubro de 2017 no município de Braga, consumiu 848,52 hectares no concelho de Braga. Foram várias as consequências no território, sendo que a área ardida ficou desprovida de coberto vegetal, provocando um aumento da erosão do solo e a possibilidade de se formar uma camada repelente à água, levando ao aumento da escorrência e, na altura das chuvas, a camada de cinzas e restos lenhosos serão arrastados para as linhas de água a jusante da área queimada, levando à sua degradação.

Para minimizar estes efeitos, a autarquia, com base no Relatório de Estabilização de Emergência do Incêndio Florestal produzido pelo ICNF, adotou uma série de medidas, começando desde logo pela recuperação das infraestruturas danificadas, com substituição de sinalização florestal afetada nos percursos pedestres do Caminho dos Santuários e do trilho da Morreira. Além disso, será aplicada a técnica de “mulch” para proteger o solo e minimizar o efeito da erosão, cobrindo o mesmo com resíduos vegetais.

Uma terceira medida será a regularização do regime hidrológico das linhas de água, que são essenciais para recuperar a área ardida, não só devido ao seu valor ecológico, ambiental e paisagístico, como também pela sua capacidade de absorção e escorrimento de água. Para este efeito, os leitos serão limpos e desobstruídos e as margens consolidadas, estando ainda prevista a limpeza e desobstrução de passagens hidráulicas.

Estas intervenções serão desenvolvidas a jusante da foz para montante, removendo apenas detritos que possam criar obstáculos ao normal escoamento no curso de água. Serão ainda realizadas obras de correção torrencial de pequena dimensão, construindo-se estruturas de madeira e pedra de acordo com a tipologia clássica das barragens, o que contribuirá para a diminuição da inclinação do fundo do leito do rio ou ribeiro, favorecendo a redução dos efeitos erosivos e a deposição de material.

Por fim, para abrandar a perda de biodiversidade provocada pelo incêndio, serão instaladas faixas de proteção, através de sementeira ou plantação. Antes do incêndio, o solo era essencialmente ocupado por manchas de eucalipto, alguns povoamentos de pinheiro bravo fino, de carvalho alvarinho e de sobreiros. A intervenção irá pois proceder à plantação em 25,61 hectares de algumas espécies – carvalho-alvarinho, bétula, bordo, medronheiro e castanheiro.

Este artigo foi publicado na edição 79 da Ambiente Magazine