Qual o papel do Leasing e Renting na economia circular e verde?

Qual o papel do Leasing e Renting na economia circular e verde?

A economia verde e a economia circular são dois conceitos que têm, cada vez maior relevância no rumo à descarbonização. E numa recuperação que se pretende justa, verde, digital e resiliente, os setores do Leasing e do Renting em Portugal têm sido atores principais nestas matérias.

Este foi o ponto de partida para Alexandre Santos, presidente da Associação Portuguesa de Factoring, Leasing e Renting (ALF) constatar que “as empresas do setor de financiamento especializado estão atentas ao interesse crescente dos gestores no que concerne à descarbonização”. A ALF tem 37 anos de existência e “representa as instituições de três setores do Financiamento Especializado em Portugal”.

Mas será que os setores do Leasing e do Renting poderão ter um papel principal em questões de economia circular e verde? O dirigente afirma que isso já acontece, sendo que “o financiamento especializado desempenha um papel ativo no processo de decisão associado ao consumo e ao investimento, o que se reflete na utilização de recursos e consequentes efeitos poluentes”. Alexandre Santos explica que “o Leasing e o Renting viabilizam a realização de transações comerciais que sustentam o investimento em bens mobiliários e imobiliários por famílias e empresas, acelerando o ciclo de renovação de ativos e promovendo a introdução na economia de equipamentos mais ecológicos e modernos” que, por seu turno, “proporcionam um menor impacto ambiental, seja de forma direta – por via da redução das emissões poluentes – seja de forma indireta – a partir de uma maior eficiência energética”, visto que existe um “acompanhamento de inovações tecnológicas”. Além disso, é também destacado que o setor “permite ainda alocar de forma eficiente os ativos, financiando a aquisição (de produtos) e estimulando a sua reutilização no mercado, contribuindo para a diminuição de desperdícios associados.Estes produtos são também um dos principais meios de introduzir inovações no mercado de forma generalizada”, considera.

E são já vários os exemplos no setor rumo a uma economia verde, existindo, no caso do leasing mobiliário e imobiliário, “vários casos de parcerias de locadoras e empresas para o desenvolvimento de equipamentos sustentáveis”, desde a “implementação de painéis fotovoltaicos” ao “financiamento de imóveis mais eficientes”.  Já nos transportes, Alexandre Santos reforça o pioneirismo “na dinamização do ecossistema de mobilidade rodoviária”. O Leasing e o Renting têm sido, aliás, na ótica do dirigente, “fortes impulsionadores de tendências de mobilidade que promovem a descarbonização, incluindo a shared mobility”, mostrando e pondo à disposição dos clientes “soluções eficientes e económicas que viabilizam o acesso às mais recentes tecnologias”. No caso específico do Renting, a panóplia de serviços inerentes ao produto, de forma integrada, constitui uma vantagem competitiva e permite ao cliente uma melhor gestão operacional da sua solução de mobilidade”. Isto só é possível graças ao facto do setor colocar os produtos à disposição de forma facilitada “através de rendas flexíveis e condições geralmente mais vantajosas que no crédito clássico, devido às suas características específicas que lhe conferem uma maior segurança”.

Aperfeiçoamento das políticas fiscais resultaria numa maior taxa de aceitação

O forte impulso do setor advém em parte da legislação, visto que “o incentivo fiscal à aquisição de veículos movidos a energia elétrica permitiu também o aumento da quota de elétricos e híbridos plug-in no mercado”, algo que acabou por “incentivar o investimento nas frotas, desafio a que o Leasing e o Renting têm respondido prontamente”. No entanto, o presidente da ALF diz ser necessária uma “evolução legislativa”, recuperando o “incentivo ao abate de veículos automóveis que não discrimine todos os tipos de acesso à mobilidade e o aumento dos benefícios fiscais nas viaturas elétricas e híbridas. As políticas fiscais não são indispensáveis para que os produtos sejam utilizados pelos agentes económicos, mas a sua melhoria e aperfeiçoamento resultariam certamente numa maior taxa de aceitação e rapidez de adoção”, sustenta.

Mesmo em períodos mais conturbados, Alexandre Santos olha para o futuro com otimismo, destacando “as melhorias da literacia financeira por parte do tecido empresarial” que reconhece cada vez mais as “vantagens inequívocas dos serviços face aos produtos financeiros tradicionais”. No que toca a “grandes tendências” ligadas à economia circular e economia verde, o responsável perspetiva que “o futuro traga inovações ao nível da oferta do produto”, com cada vez mais “soluções e nichos especializados em diferentes tipos de equipamentos”, estimulando “os agentes económicos portugueses com cada vez maior quantidade de alternativas, na altura de modernizar”. A isto acresce “mais soluções de mobilidade” que vão permitir uma “maior eletrificação das frotas”, afirma, constando que “é vital que o Governo acompanhe com uma rede de abastecimento espalhada por todo o país, e um contributo para a redução da idade média do parque automóvel”. O futuro vai trazer ainda “um crescente número de parcerias de diferentes setores”, que se conjugam para “oferecer serviços integrados” de forma concertada, “no epicentro do qual estarão certamente o Leasing e o Renting”, remata.

Cristiana Macedo