Quercus alerta para o elevado desperdício energético do ar condicionado portátil

Quercus alerta para o elevado desperdício energético do ar condicionado portátil

Categoria Ambiente, Energia

Numa altura em que as temperaturas ultrapassam os 40oC em muitos locais e a necessidade de arrefecer as habitações aumenta, muitos portugueses são “induzidos a fazer compras impulsivas de aparelhos de climatização para arrefecer as suas casas”. A Quercus, enquanto responsável pelos projetos europeus Topten e HACKS, participa na campanha organizada pela aliança Coolproducts, da qual é membro, e subscreve o apelo para que a Comissão Europeia:

  • crie uma etiqueta energética única para todos os aparelhos de ar condicionado;
  • promova ativamente o uso de fluidos refrigerantes com baixo impacte climático;
  • introduza requisitos técnicos que permitam a maior duração dos aparelhos e, que as peças de substituição sejam obrigatoriamente disponibilizadas por um período mínimo de 12 anos.

A campanha CoolProducts visa “alertar os consumidores para o elevado desperdício de energia dos aparelhos de ar condicionado portáteis” e exigir aos “decisores políticos requisitos mais exigentes para a indústria e informação mais acessível aos consumidores, com vista a escolhas mais amigas da carteira e do ambiente”. Segundo a associação ambientalista, apenas com base numa “sintonia entre os decisores políticos e os cidadãos será possível garantir o uso das melhores tecnologias disponíveis para refrescar as casas, durante verões cada vez mais quentes”.

Quando arrefecer a casa significa tornar o planeta mais quente

Até 2050, prevê-se que 2/3 do setor residencial, a nível mundial, tenha um aparelho de ar condicionado. Na União Europeia (UE), espera-se que o consumo de eletricidade pela utilização destes aparelhos aumente de 40 TWh para 62 TWh, em 2030, o equivalente a cinco vezes o consumo de eletricidade no setor doméstico, em Portugal.

No que diz respeito aos aparelhos portáteis, só na UE foram vendidas mais de meio milhão de unidades, em 2015, o que representa 14,2% do total de vendas de aparelhos de ar condicionado. Em Portugal, mais de 6,5% das vendas de novos aparelhos corresponderam a unidades portáteis.

Se as cerca de 4,3 milhões de unidades portáteis que se estima existirem na UE fossem desativadas, seria possível evitar a emissão de 0,35 MtCO2, equivalente a 200 mil voos de ida e volta entre Bruxelas e Nova Iorque.

Este crescimento excessivo traduz-se numa séria ameaça devido ao aumento das emissões de gases com efeito de estufa associadas, as quais, por seu turno contribuirão, ainda mais, para a subida da temperatura no planeta.

Etiqueta única ajudaria consumidores

Os aparelhos portáteis constituem o sistema menos eficiente do mercado. No entanto, são cada vez mais populares. De facto, um modelo portátil, com a classe A+, consome 2,4 vezes mais eletricidade do que um modelo de parede, da mesma classe. Porém, o consumidor é induzido em erro, dado que as etiquetas energéticas destes modelos não são comparáveis entre si. A solução é haver uma etiqueta única para os vários sistemas.

A Quercus lembra que, antes de tomar uma decisão de compra precipitada, é importante ter em consideração que, geralmente, a “aplicação de medidas de climatização passiva, como manter as janelas e persianas ou cortinas fechadas durante o dia, ou recorrer a toldos e palas horizontais, entre outras, pode ajudar a arrefecer o espaço”. Caso não seja possível evitar a utilização do ar condicionado, a “instalação de uma unidade split de parede ajudará a diminuir o consumo de energia”.

Através da informação disponibilizada pelo projeto HACKS, os consumidores consegue fazer uma escolha mais eficiente.