QUERCUS alerta para risco no abastecimento de água devido ao aumento do regadio em Alqueva

A QUERCUS alertou esta segunda-feira para o risco de comprometimento do abastecimento de água para consumo urbano e industrial devido ao aumento do volume de água destinado ao regadio intensivo no Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA).

Em causa está um despacho interministerial que autoriza o aumento de 110 milhões de metros cúbicos de água por ano a extrair da albufeira de Alqueva. Deste total, 100 milhões de metros cúbicos serão destinados ao regadio e apenas 10 milhões ao consumo urbano e industrial, uma decisão que, segundo a associação, ignora o princípio da prioridade do uso da água para consumo humano consagrado na Lei da Água.

Em comunicado, a QUERCUS acusa o Ministério da Agricultura e Mar de ceder “às pretensões do regadio intensivo”, promovendo a sua expansão “sem regras” e desvalorizando as necessidades das populações e da indústria, cuja tutela pertence ao Ministério do Ambiente e Energia.

Para a presidente da associação, Alexandra Azevedo, o aumento das extrações e a expansão territorial do regadio colocam em risco o abastecimento de água, sobretudo em cenários de seca severa, cada vez mais frequentes em Portugal devido às alterações climáticas. “A prioridade tem sido o lucro e não o desenvolvimento sustentável”, sublinha.

De acordo com a QUERCUS, cerca de 95% da água atualmente captada no EFMA é utilizada por atividades económicas privadas, maioritariamente ligadas a culturas de regadio orientadas para a exportação. A associação alerta ainda para os impactos ambientais e paisagísticos deste modelo agrícola, que considera insustentável a médio e longo prazo.

A organização ambiental questiona também a ausência de estudos de impacte ambiental, económico-financeiros e sociais associados às decisões de distribuição de água em Alqueva, bem como a falta de avaliação das necessidades hídricas dos municípios e da indústria nas regiões abrangidas.

Entre as propostas apresentadas, a QUERCUS defende uma revisão do preço da água, tendo em conta fatores como a escassez do recurso, a sustentabilidade das culturas e o destino da produção, e sugere que o Conselho para o Acompanhamento do Regadio de Alqueva passe a integrar organizações da sociedade civil ligadas à defesa ambiental e social.

Evocando a estratégia governamental “Água que Une”, a associação conclui que a água “só une quando o interesse público e o desenvolvimento sustentável são devidamente salvaguardados”.