Quercus congratula-se com a desistência do projeto de prospeção e pesquisa de lítio do Fojo

Quercus congratula-se com a desistência do projeto de prospeção e pesquisa de lítio do Fojo

Categoria Ambiente, Energia

A Quercus manifesta em comunicado à imprensa o seu agrado com a desistência do projeto de prospeção e pesquisa de lítio do Fojo. No entender da Associação, “é importante um enquadramento de sustentabilidade dos recursos e da sua exploração, o que, está seriamente ameaçado se o frenesim pela exploração de Lítio em Portugal não for devidamente avaliado de acordo com os mais rigorosos parâmetros ambientais”. A agitação pela exploração de Lítio em Portugal, leva a Quercus a alertar para a forma como se pretende substituir os combustíveis fósseis por baterias de iões de lítio, pois considera que esta “não é a forma mais ecológica nem sustentável”, lê-se no mesmo comunicado.

Entre os projetos insustentáveis previstos para Portugal, está o projeto de prospeção e exploração de Lítio no Distrito de Viana do Castelo, nos limites do Parque Nacional da Peneda-Gerês, que apresenta uma ameaça real para a única Área Protegida em Portugal com esta classificação e que tanto no interior da mesma, como na sua envolvente, apresenta uma riqueza única em termos de Natureza e Biodiversidade. A recordar ainda que a empresa mineira australiana “Fortescue Metals Group Exploration Pty, Ltd”, tem ainda outros pedidos de prospeção e pesquisa em Portugal que aguardam decisão. Neste sentido, a Quercus garante que vai manter-se atenta ao progresso dos processos ainda em análise.

A Associação adverte que se o lítio, através destes processos de exploração insustentáveis, for considerado a base para a diminuição das emissões de CO2, quando nos referimos a meios de transporte e armazenamento de energia, estar-se-á a “combater” as alterações climáticas criando novos problemas ambientais, e continuando com meios e tecnologias de exploração de recursos que são finitos. Por estas razões, considera que “a forma como se pretende substituir os combustíveis fósseis por baterias de iões de lítio é insustentável, não correspondendo às necessidades urgentes que o Planeta necessita face à gravidade das Alterações Climáticas que enfrenta, bem como, aos problemas de perda de Biodiversidade já existentes”.

Caso de exploração de Lítio no Distrito de Viana do Castelo

O projeto de exploração de lítio que agora a empresa australiana “Fortescue Metals Group Exploration Pty, Ltd” retirou, previa a prospeção de depósitos de minerais (com o objetivo principal o Lítio) para um polígono com 74.764 km2, inserido nos concelhos de Arcos de Valdevez, Melgaço e Monção. O polígono de prospeção proposto abrangia: o território declarado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera, extensões de área de prospeção inseridas na Reserva Agrícola Nacional e na Reserva Ecológica Nacional, território classificado como Rede Natura 2000, zonas densamente povoadas, zonas de densa atividade agrícola, os Vales do rio Minho, do rio Mouro e do rio Vez (Vale Glaciar) e confina com os limites do Parque Nacional Peneda-Gerês (Áreas de Proteção Total, Parcial I e II).

Caso a autorização tivesse sido concedida, “estaríamos perante a destruição de um mosaico agro-silvo-pastoril de enorme relevância, a degradação de zonas de excelência e alvo de trabalhos de conservação da Natureza únicas no país, a destruição de habitats e ecossistemas de elevada importância de conservação, que contêm espécies ameaçadas, como é o caso do Lobo-ibérico e da Águia-real”, assenta a Quercus. Também as populações envolventes seriam “vítimas desta atividade, uma vez que seriam afetadas pela poluição do ar, da água e pela degradação dos solos, importantíssimos para o pastoreio e para a agricultura, principais sustentos e contributos para a fixação da população local”, acrescenta. Já o turismo rural, outro fator que contribui para a fixação da população e crescimento da economia local, seria também “gravemente afetado” e a título de exemplo, a aldeia de Sistelo, reconhecida pelo Estado Português como Paisagem Cultural de Sistelo, veria a paisagem envolvente ser “fortemente degrada, o que certamente teria consequências nas atividades económicas locais ligadas ao turismo”.