A Reserva Natural das Berlengas enfrenta uma situação de “abandono” na sua vigilância e proteção, devido à falta de condições atribuídas aos Vigilantes da Natureza, segundo denúncia do SinFAP (Sindicato Independente dos Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil).
De acordo com o sindicato, os profissionais responsáveis pela proteção desta área classificada não dispõem de meios mínimos para desempenhar funções, apontando responsabilidades ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e ao Ministério do Ambiente.
Entre as principais falhas identificadas estão a ausência de uma embarcação para transporte e fiscalização, a avaria da mota utilizada nas deslocações na ilha e a inoperacionalidade do gerador. A habitação de serviço disponível apresenta também condições consideradas indignas, dificultando a permanência dos vigilantes no local.
Segundo o SinFAP, esta realidade compromete seriamente a proteção da área, deixando a zona marinha exposta a práticas ilegais e aumentando os riscos para a flora endémica. O sindicato alerta ainda para a circulação de visitantes fora dos trilhos autorizados e para a ausência de fiscalização efetiva.
A situação poderá também afetar projetos científicos e de conservação em curso, incluindo iniciativas desenvolvidas em parceria com universidades e organizações não governamentais.
Apesar destes problemas, o sistema Berlenga Pass gera receitas anuais superiores a 700 mil euros para o ICNF, sem que, segundo o sindicato, esse valor se traduza em investimento na melhoria das condições de vigilância.
O SinFAP afirma ter alertado repetidamente as entidades responsáveis, sem que tenham sido tomadas medidas concretas. Considera, por isso, tratar-se de uma “falha grave de responsabilidade política e administrativa” na gestão de uma das mais emblemáticas reservas naturais do país.
O sindicato exige intervenção urgente do Governo, defendendo a reabilitação das habitações, a aquisição de uma embarcação, a reparação dos equipamentos existentes, a estabilização do fornecimento energético e o reforço da vigilância permanente na ilha.






































