Seca poderá levar agricultores a terem de vender gado para comprar ração

Seca poderá levar agricultores a terem de vender gado para comprar ração

A situação de seca que o país atravessa, com quase 80% do território nacional em situação de seca extrema, tem vindo a preocupar os agricultores de norte a sul do país. Se não houver chuva nos próximos dias, “o mais certo é ter de vender gado para comprar ração para alimentar as restantes cabras”, diz Rui Afonso, pastor em Salvada (Beja), citado pelo Correio da Manhã. “Em março e abril, quando devia ter chovido bem, para os pastos ficarem mais fortes, não choveu e o resultado é este: os animais não têm nada para roer”, adiantou.

Há vários meses sem água, principalmente o interior do país, vive “tempos de desespero”. A terra está seca e quem tem gado vê-se obrigado a comprar palha e ração para dar aos animais. Quem tem produção agrícola, vê os produtos a secar. “As pastagens estão completamente secas e os animais têm de ser alimentados com os fenos que estavam guardados para o inverno. A situação já é de calamidade mas pode piorar ainda mais se não chover até outubro”, alerta Luís Santos, produtor de leite no concelho do Fundão.

A região da Beira Baixa é uma das mais afetadas pela falta de água, com poços, charcas e barragens usados na agricultura estão nos valores mínimos. Por exemplo, Luís Santos cultiva, todos os anos, 30 hectares de sorgo para alimentar as 1200 cabras e ovelhas. Este ano, só conseguiu cultivar um terço dessa área. “O que se gasta em energia para regar reduz drasticamente o lucro, o que faz com que estejamos a trabalhar apenas para sobreviver”, refere.

Também as árvores estão a sofrer com a falta de água no solo e a produção da azeitona já está comprometida. “Tenho umas oliveiras e a azeitona já está a cair. O azeite não vai ser grande coisa”, lamenta Manuel Pinto, agricultor da aldeia de Linhares, no concelho de Mogadouro.

Mário Pereira, presidente da Federação dos Agricultores de Trás-os-Montes e Alto Douro alerta: “As oliveiras estão a secar e a produção da azeitona está comprometida”.