Por Aroa Ruzo, Country Manager Portugal, Schneider Electric
A recente volatilidade nos mercados do petróleo e do gás voltou a expor uma fragilidade estrutural na Europa: a dependência de combustíveis fósseis importados. Perante choques geopolíticos, o continente mantém-se vulnerável, com impactos diretos nos custos de produção, na competitividade das empresas e nos orçamentos das famílias.
Neste contexto, a eletrificação afirma-se como uma resposta estratégica, que vai além do debate climático. De acordo com o relatório “Supercharging Electrification – Europe Energy Security & Competitiveness”, da Schneider Electric, a União Europeia depende de importações para cerca de 60% do seu abastecimento energético, num custo anual próximo dos 380 mil milhões de euros, enquanto a eletricidade representa apenas 21% do consumo final. A aceleração da eletrificação, quando combinada com digitalização, produção local e armazenamento, permite ganhos relevantes em eficiência, estabilidade e custos, podendo traduzir-se em poupanças até 250 mil milhões de euros anuais até 2040.
Em Portugal, onde a dependência energética externa e a exposição à volatilidade são particularmente relevantes, este é um caminho prioritário. O progresso já é visível no setor dos edifícios, mas será essencial alargar a eletrificação a toda a economia, garantindo condições regulatórias e económicas estáveis que permitam acelerar esta transição.
Para tal, é necessário agir com clareza: reduzir o diferencial entre eletricidade e gás natural, reforçar os mecanismos de financiamento, assegurar previsibilidade regulatória e incentivar soluções locais que gerem impacto imediato. Mais do que uma resposta às metas ambientais, a eletrificação é uma decisão estratégica para reforçar a segurança energética, reduzir a dependência externa e aumentar a competitividade económica.






































