Segurança marítima e energética discutida em Luanda no próximo mês

Segurança marítima e energética discutida em Luanda no próximo mês

Decorre, no próximo mês, em Luanda, uma conferência internacional sobre segurança marítima e energética, que vai reunir cerca de 300 participantes e deverá produzir uma declaração internacional – “Declaração de Luanda sobre Segurança Marítima e Energética” – sobre o combate à pirataria, nomeadamente no golfo da Guiné. A informação foi divulgada hoje pela diplomacia angolana, que está a preparar este encontro internacional com o apoio dos governos dos Estados Unidos da América e de Itália.

O encontro possibilitará ainda, segundo o Ministério das Relações Exteriores angolano, “recolher ideias e experiências” para a posterior elaboração de uma Estratégia de Segurança Marítima Nacional “mais consentânea com os interesses, as oportunidades e o papel regional de Angola”.

“A costa marítima de África, tanto do Atlântico quanto do Índico, continua a enfrentar grandes desafios de segurança, não obstante um número considerável de países do continente depender muito do mar, quer como sua principal via para levar produtos aos mercados regionais e internacionais, quer como espaço de atividade económica estratégica como a exploração petrolífera”, disse hoje o ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti. O governante falava num encontro com o Corpo Diplomático acreditado em Angola, precisamente para apresentar os termos de referência e o programa da Conferência Internacional sobre Segurança Marítima e Energética, que terá lugar em Luanda, de 7 a 9 de outubro.

De acordo com a diplomacia angolana, a realização desta conferência é “estrategicamente necessária” e visa “contribuir para um reforço das iniciativas nacionais e regionais na resposta às ameaças na costa atlântica, em especial no golfo da Guiné”. “Para Angola, é fundamental a definição e a aplicação de uma estratégia marítima que responda efetivamente às ameaças e oportunidades contemporâneas no quadro do desenvolvimento da denominada ‘economia azul'”, divulgou o Ministério das Relações Exteriores.

A região do golfo da Guiné é afetada por fenómenos de pirataria e de tráfico de droga, de armas e de seres humanos, sendo utilizada por grupos terroristas subsaarianos que se misturam com imigrantes ilegais para alcançar a Europa, nomeadamente através do corredor da Líbia.

A Lusa noticiou, a 27 de maio, que mais de uma dezena de ministérios angolanos estão envolvidos na organização desta conferência internacional, com Angola preocupada com a exploração petrolífera.

A informação consta de um despacho presidencial, a que a Lusa teve acesso, que cria uma comissão nacional para organizar e realizar esta conferência internacional, que vai debater a segurança e pirataria no golfo da Guiné, envolvendo diretamente 12 ministérios, liderada pelo ministro Georges Chikoti. O despacho defende que “é fundamental para o país a definição e aplicação de uma visão e estratégia marítima que responda efetivamente às ameaças e oportunidades contemporâneas”, nomeadamente pela sua economia (Angola), “continuar a dependente em grande parte da exploração petrolífera ‘offshore'”.

José Eduardo dos Santos anunciou a 21 de julho passado o interesse de Angola em acolher a conferência sobre vigilância e segurança no golfo da Guiné, região afetada por atos de pirataria e tráfico de droga, associando-se à iniciativa dos Estados Unidos da América, que previa a realização deste encontro em 2015.