A Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP) apelou à adoção urgente de medidas excecionais para garantir a recuperação do setor industrial, na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin e por outros fenómenos meteorológicos recentes que afetaram várias regiões do país.
Em comunicado, a associação alerta para consequências graves caso não seja assegurada uma resposta pública rápida e eficaz. “Se não forem tomadas medidas adequadas, o custo da inação será muito superior ao custo de uma intervenção pública atempada. Sem condições reais para a retoma da produção, assistiremos a encerramentos empresariais, perda de emprego e enfraquecimento estrutural do tecido industrial nacional”, afirma Amaro Reis, presidente da APIP.
Segundo a associação, os efeitos da destruição provocada pela tempestade poderão ir muito além das empresas diretamente afetadas. A APIP antecipa encerramentos empresariais diferidos, perda de emprego direto e indireto, fragilização das cadeias de valor industriais e impacto negativo nas economias locais. A redução das exportações, a perda de competitividade externa e o aumento da pressão sobre os sistemas de proteção social são outros dos riscos apontados.
A associação defende uma intervenção pública coordenada e de caráter excecional, que ultrapasse os mecanismos habituais e envolva os núcleos empresariais locais. Para tal, considera essencial uma articulação célere entre os Ministérios da Economia, da Coesão Territorial, do Estado e das Finanças, e do Ambiente e Energia.
Relativamente aos apoios disponíveis, a APIP considera que as linhas de crédito do Banco Português de Fomento, destinadas à reconstrução, investimento e tesouraria, com garantias públicas e bonificação de juros, apresentam limitações estruturais.
Num contexto marcado pela destruição física de ativos, instabilidade energética e incerteza quanto à retoma da produção, a associação entende que o recurso exclusivo a financiamento por via de dívida aumenta significativamente o risco de insolvência das empresas afetadas.
Entre as medidas propostas estão apoios não reembolsáveis para reposição mínima da capacidade produtiva, mecanismos de adiantamento de liquidez antes do pagamento de seguros, linhas de crédito com períodos de carência alargados e juros bonificados, bem como instrumentos mistos que combinem apoio direto e financiamento.
Face à dimensão e gravidade dos danos, a APIP considera indispensável que o Governo acione os mecanismos europeus previstos para situações de catástrofe natural, mobilizando fundos e instrumentos financeiros comunitários.
Para a associação, o reforço da capacidade financeira do Estado é determinante para acelerar a resposta no terreno e evitar o subfinanciamento da recuperação industrial.
Problemas energéticos agravam paralisação
Um dos principais entraves à retoma da atividade prende-se com a destruição significativa de infraestruturas elétricas de alta e muito alta tensão. A dependência de soluções provisórias, como geradores, tem provocado microcortes frequentes e fornecimento de potência insuficiente, resultando em paragens totais das unidades industriais, desperdício de matéria-prima e riscos para a segurança e qualidade da produção.
Neste contexto, a APIP defende que o Governo solicite apoio imediato a entidades europeias, nomeadamente de Espanha e França, para acelerar a reposição da rede elétrica e reduzir o tempo de paralisação industrial.
Ao nível dos seguros, a associação apela a uma postura colaborativa e célere por parte das seguradoras, com avaliações integradas dos danos e decisões rápidas quanto à cobertura. A simplificação dos processos administrativos e a articulação entre seguradoras, Governo, regulador e entidades financeiras são consideradas essenciais para reduzir o desfasamento entre os prejuízos efetivos e os mecanismos de compensação disponíveis.
“O que está em causa não é apenas a retoma de algumas empresas, mas a preservação do tecido industrial, do emprego e da capacidade produtiva nacional. Sem instrumentos excecionais, muitas empresas não vão sobreviver”, conclui Amaro Reis.





































