Sines: debate sobre o roadmap para a descarbonização
Esta quarta-feira, dia 14 de janeiro, a Fundação Repsol e a Administração do Porto de Sines apresentaram o evento “Rumo ao net zero: Sines e os caminhos para a descarbonização da indústria”, dando lugar a um espaço de debate estratégico sobre a transição energética, a competitividade europeia, a descarbonização e o progresso do projeto ALBA, um dos maiores investimentos industriais em Portugal na última década.

Numa mesa-redonda, Salvador Ruíz, Diretor da Repsol Polímeros, começou por destacar a dimensão do projeto ALBA, que contempla a construção de duas novas fábricas para produzir materiais poliméricos, de alto valor acrescentado e 100% recicláveis, e no qual se encontram 1.500 pessoas a trabalhar.
Considerado um “projeto sustentável”, o ALBA não integra apenas a produção destes materiais mais ecológicos, mas também outras dimensões rumo à descarbonização das operações industriais no porto de Sines e da Repsol, como a eficiência energética, com a integração de 20MW de fotovoltaico.
Por sua vez, Jaime Puna, membro da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, explicou como Sines tem a ambição de atingir a neutralidade carbónica em 2045, cinco anos antes da meta europeia, e do objetivo de

“sermos autossuficientes energeticamente”, com mais parques solares fotovoltaicos e com a possibilidade de recorrer à energia das ondas e até à energia eólica.
Para o Porto de Sines é igualmente importante integrar-se numa Comunidade de Energia Renovável e de trabalhar o armazenamento de energia através de baterias, além da criação de corredores verdes (a ser formalizados com outros países), visto que “Sines será um cluster do hidrogénio verde”.
Jaime Puna ainda falou da importância dos investimentos estruturais e de uma maior digitalização e eletrificação no porto, além da construção de novos cais, do reforço das acessibilidades (rodoviária e ferroviária) e do compromisso de mais habitação. Atualmente, o Porto de Sines está a responsabilizar-se pela construção de 50

habitações, devido à falta de parque imobiliário na zona.
Neste sentido de melhoria de acessibilidades, Miguel Cruz, Presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), garantiu que a entidade está a fazer todos os avanços, essencialmente na ferrovia para que a mesma se torne mais sustentável. Todavia, alertou que a rede não pode ser 100% eletrificada e a que for deve apostar, obviamente, na utilização de energia verde. Além disso, é fundamental “investir na adaptação das infraestruturas”, no caminho da “resiliência climática”.
Sobre o caso concreto de Sines, “a nossa atuação é de flexibilidade para acompanhar a evolução da atividade do porto e ajudar a torná-lo mais competitivo”, mas relembrou que de forma geral existem condicionantes de mão-

de-obra e de burocracia.
Por fim, nesta mesa-redonda participou Filipe Barreiro, Head of Operations da Start Campus, cujo data center se localiza em Sines. O próprio assegurou que a infraestrutura já ruma à descarbonização, com o uso da água do mar para o arrefecimento e com o recurso a energia 100% limpa para alimentação do centro.
O próprio ainda confirmou a construção de um segundo data center ainda este ano, o que trará mais postos de trabalho para Sines.
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