Num ano marcado por crescimento recorde e forte aposta na inovação, a STIHL reforça a sua posição de liderança no mercado europeu. Em Portugal, a marca destacou-se como a filial com maior crescimento proporcional da Europa Ocidental, consolidando a relevância estratégica do mercado nacional. Nesta entrevista, Juvenal Martins, Diretor-Geral da STIHL Portugal, analisa os fatores por detrás destes resultados, os desafios da eletrificação e a visão da empresa para um futuro cada vez mais sustentável.
A STIHL encerra 2025 com uma faturação global de 5,4 mil milhões de euros. Que decisões estratégicas foram determinantes para alcançar estes resultados num contexto económico e geopolítico tão desafiante?

O desempenho alcançado em 2025 resulta de uma estratégia de longo prazo assente em três pilares fundamentais: solidez financeira, investimento contínuo em inovação e proximidade aos mercados. Apesar de um contexto marcado por instabilidade geopolítica, pressão inflacionista e incerteza económica, o Grupo STIHL manteve um forte investimento na expansão da capacidade produtiva, na modernização das suas operações e na aceleração da transição para a tecnologia a bateria.
Ao mesmo tempo, reforçámos a nossa rede global de distribuição e continuámos a apostar na proximidade com os clientes e com os concessionários especializados. Esta combinação permitiu-nos responder melhor às necessidades dos mercados e reforçar a nossa posição de liderança. O resultado foi um ano recorde para a STIHL, muito próximo do melhor desempenho da sua história.
Portugal foi o mercado da STIHL que mais cresceu proporcionalmente entre as filiais da Europa Ocidental, com um aumento de 17%. O que explica este desempenho tão acima da média e de que forma o caso português está hoje a ser visto dentro do grupo?
O crescimento registado em Portugal resulta de uma combinação de fatores muito positiva. Em 2025, tivemos condições climatéricas favoráveis, um mercado que continua a reconhecer a qualidade e fiabilidade da marca STIHL e uma forte proximidade à nossa rede de concessionários e clientes profissionais.
Mas há também um fator estrutural importante: o investimento realizado nas novas instalações de Sintra. Este projeto permitiu-nos reforçar a formação, melhorar o apoio técnico e criar condições para estar ainda mais próximos dos profissionais dos setores florestal, agrícola, ambiental e dos espaços verdes.
Portugal foi a filial da Europa Ocidental que mais cresceu proporcionalmente em 2025 e esse desempenho está a ser acompanhado com grande interesse dentro do Grupo. Não por acaso, recebemos recentemente em Sintra o primeiro Workshop Regional de Marketing da Europa Ocidental da STIHL, reunindo responsáveis de vários mercados europeus para conhecer algumas das iniciativas que têm contribuído para o crescimento da operação portuguesa.
A STIHL já tem produtos a bateria a representar 27% das vendas globais e 26% em Portugal. Estamos perante uma mudança definitiva no mercado para a eletrificação?
Estamos claramente perante uma tendência estrutural e irreversível. A eletrificação responde a desafios muito concretos dos utilizadores atuais: redução de ruído, ausência de emissões diretas, menor manutenção e custos de operação mais reduzidos.

No entanto, esta transição não acontecerá ao mesmo ritmo em todos os segmentos. Existem aplicações profissionais, sobretudo em floresta e agricultura, onde os equipamentos a combustão continuam a desempenhar um papel muito relevante.
Por isso, a estratégia da STIHL passa por liderar ambas as tecnologias. Continuaremos a investir fortemente no desenvolvimento de soluções a bateria, mas também na evolução dos motores de combustão, garantindo que cada cliente encontra a solução mais adequada às suas necessidades.
A STIHL afirma querer alcançar na tecnologia a bateria a mesma liderança histórica que tem nos motores de combustão. O consumidor já está convencido para esta mudança?
O consumidor está cada vez mais convencido, sobretudo à medida que a tecnologia evolui. Há poucos anos existiam dúvidas relativamente à autonomia, potência ou robustez dos equipamentos a bateria. Hoje, muitas dessas barreiras já desapareceram. E veja-se para isso o setor automóvel.
No segmento profissional, em particular, estamos a assistir a uma crescente adoção destas soluções. Municípios, empresas de manutenção de espaços verdes e prestadores de serviços valorizam cada vez mais aspetos como a redução do ruído, a facilidade de utilização e a sustentabilidade das operações.
Estamos a desenvolver soluções que nos aproximam cada vez mais dos níveis de desempenho necessários para substituir equipamentos a combustão num número crescente de aplicações profissionais.
A nova fábrica dedicada exclusivamente a baterias e equipamentos elétricos na Roménia e a produção interna de motores EC mostram uma aposta muito forte na integração tecnológica. Até que ponto esta transformação vai redefinir a identidade da STIHL nos próximos anos?
Mais do que redefinir a identidade da STIHL, esta transformação reforça aquilo que sempre fomos: uma empresa focada em inovação e liderança tecnológica.
Desde a invenção da motosserra moderna por Andreas Stihl, há precisamente 100 anos, a empresa procura desenvolver as melhores soluções para facilitar o trabalho das pessoas na floresta, na agricultura, na manutenção dos espaços verdes e no ambiente urbano.
O que está a mudar são as tecnologias disponíveis para atingir esse objetivo. A aposta na produção própria de motores EC, no desenvolvimento de baterias e na integração tecnológica permite-nos controlar melhor a qualidade, acelerar a inovação e responder mais rapidamente às necessidades dos utilizadores.A marca celebra 100 anos em 2026. Como olha para a STIHL do futuro no que diz respeito à eletrificação e sustentabilidade?
O centenário da STIHL demonstra que é possível, e maravilhoso, combinar tradição e inovação. A sustentabilidade será cada vez mais um elemento central da nossa atividade, não apenas através dos produtos que desenvolvemos, mas também da forma como produzimos, distribuímos e gerimos os nossos recursos.
A eletrificação continuará a ganhar peso e acreditamos que terá um papel fundamental na manutenção de espaços verdes, na gestão urbana e em muitas aplicações profissionais. Paralelamente, continuaremos a investir na eficiência energética das nossas instalações, na redução da pegada ambiental e na formação dos utilizadores para uma utilização mais responsável dos equipamentos.

O futuro da STIHL está a ser construído hoje e assenta na mesma ambição que orienta a empresa desde 1926: facilitar o trabalho das pessoas com e na natureza.
Qual será o maior desafio para atingir os objetivos da STIHL?
O maior desafio será continuar a antecipar as mudanças dos mercados num contexto cada vez mais volátil. Vivemos uma época marcada por transformações tecnológicas rápidas, alterações regulatórias, desafios geopolíticos e novas exigências ambientais.
Para uma empresa global como a STIHL, o sucesso dependerá da capacidade de responder rapidamente a estas mudanças sem perder aquilo que a distingue: qualidade, inovação, proximidade ao cliente e visão de longo prazo.
É precisamente por isso que continuamos a investir fortemente em tecnologia, formação, sustentabilidade e capacidade produtiva, preparando a empresa para os próximos 100 anos.








































