Subprodutos do brócolo podem servir para produção de bioplástico, indica estudo da Universidade de Aveiro

Subprodutos do brócolo podem servir para produção de bioplástico, indica estudo da Universidade de Aveiro

Categoria Advisor, Investigação

A Universidade de Aveiro (UA) identificou, nos brócolos, compostos com efeito positivo no sistema imunitário e outros que podem ser adicionados, com vantagem, na produção de bioplásticos, lê-se no comunicado.

Uma tese de doutoramento recentemente defendida na UA por Sónia Ferreira, aluna do Programa Doutoral em Ciência e Tecnologia Alimentar e Nutrição, propõe novas vias para a valorização económica dos subprodutos do brócolo, para além das que já existem e que são, por exemplo, a aplicação em rações para animais e na confeção de sopas em pó. Destes subprodutos fazem parte caules, folhas e restos de inflorescências, refere o mesmo comunicado.

A tese conclui que, para além das vantagens já conhecidas do brócolo, as suas partes com “menos valor comercial, que correspondem a cerca de 70% do brócolo e que não se veem nas prateleiras dos supermercados, têm constituintes que funcionam como ativadores do sistema imunitário”. Por outro lado, segundo o comunicado, “outro tipo de compostos também identificados nestes subprodutos do brócolo poderão ser adicionados para produzir bioplástico com possível utilização em embalagens alimentares, repelindo a água e prolongando o tempo de vida dos produtos”.

Segundo a UA, foram estudados “vários métodos para extrair a água e melhor obter os compostos presentes nos subprodutos do brócolo”, dado que a “elevada quantidade de água (cerca de 90%) e consequente perecibilidade limitam a valorização destes subprodutos”.

O estudo permitiu ainda perceber que os compostos extraídos dos subprodutos do brócolo com água foram os principais contribuintes para as alterações observadas nas propriedades mecânicas no bioplástico produzido a partir de amido (extraído da batata). A adição destes compostos antes das etapas de gelatinização e filtração do amido permitiu “obter filmes de bioplástico com maior resistência, rigidez e elasticidade”, refere o comunicado.

A tese de doutoramento foi apresentada no final de 2020.