Quais são as principais tendências de talento que irão marcar o setor da Energia em 2026, segundo o Guia Salarial da Adecco Portugal?
Em 2026, o setor da Energia continuará a ser fortemente marcado pela aceleração da transição energética, pelo aumento do investimento em fontes renováveis e pelo reforço das exigências regulatórias e ambientais. O Guia Salarial 2026 da Adecco Portugal evidencia uma procura crescente por perfis técnicos altamente especializados, num contexto em que a descarbonização e a modernização das infraestruturas energéticas deixaram de ser tendências futuras para se assumirem como prioridades estratégicas para as organizações.

Verifica-se, em particular, uma maior valorização de engenheiros ligados às energias renováveis, gestores de projeto de infraestruturas energéticas, especialistas em eficiência energética e perfis com competências em sustentabilidade e compliance ambiental. Paralelamente, as empresas procuram cada vez mais profissionais que combinem conhecimento técnico com visão estratégica, capazes de integrar critérios de sustentabilidade, rentabilidade e conformidade regulatória na tomada de decisão.
Num mercado já marcado pela escassez de talento qualificado, esta transformação estrutural está a intensificar a competição por perfis críticos, levando a uma valorização salarial e ao reforço de estratégias de atração e retenção. Assim, o talento assume-se como um dos principais fatores de competitividade no setor energético, sendo determinante para a execução de projetos complexos, o cumprimento de metas ambientais e a sustentabilidade do crescimento das organizações.
Num contexto de transição energética e maior pressão regulatória, que funções se tornaram mais críticas para garantir competitividade e sustentabilidade no setor?
Num contexto de transição energética acelerada e maior escrutínio regulatório, tornaram-se particularmente críticas as funções que asseguram a execução técnica, a conformidade ambiental e a robustez operacional dos projetos energéticos. A implementação de parques solares, centrais eólicas, sistemas de armazenamento ou soluções de eficiência energética exige profissionais com forte capacidade de coordenação técnica, gestão multidisciplinar e profundo conhecimento dos enquadramentos regulatórios.
O Guia Salarial 2026 da Adecco Portugal evidencia a crescente relevância de funções como Project Manager e Engineering Manager, bem como engenheiros ligados às energias renováveis e perfis de sustentabilidade, cuja responsabilidade está diretamente associada à entrega de projetos complexos, ao controlo de custos e ao cumprimento de metas ambientais cada vez mais exigentes. Não por acaso, funções como Project Manager ou Engineering Manager podem situar-se, dependendo da dimensão e complexidade dos projetos, entre os 50.000 e os 90.000 euros anuais.
Num setor em profunda transformação, a sustentabilidade deixou de ser uma dimensão paralela à estratégia energética para passar a integrar o núcleo da competitividade, exigindo talento capaz de equilibrar eficiência operacional, inovação tecnológica e conformidade regulatória de forma consistente e sustentável.
Perfis como Project Manager, Engineering Manager ou Maintenance Manager continuam entre os mais procurados. O que explica esta elevada procura e que competências diferenciam estes profissionais?
A elevada procura por perfis como Project Manager, Engineering Manager e Maintenance Manager explica-se sobretudo pela forte aceleração dos investimentos em energias renováveis, modernização de infraestruturas e necessidade de garantir a execução rigorosa de projetos cada vez mais exigentes em termos técnicos, financeiros e regulatórios.
O Project Manager assume um papel crítico na coordenação de equipas multidisciplinares, controlo de prazos e gestão orçamental, num contexto em que os investimentos são elevados e sujeitos a forte escrutínio. O Engineering Manager assegura a robustez técnica das soluções e o alinhamento com padrões de eficiência, segurança e sustentabilidade, enquanto o Maintenance Manager ganha crescente relevância com a expansão de ativos energéticos, onde a fiabilidade operacional e a redução de downtime são determinantes para a rentabilidade e continuidade do negócio.
Mais do que o domínio técnico, o que verdadeiramente diferencia estes profissionais no mercado português é a sua capacidade de integrar engenharia, gestão operacional e enquadramento regulatório, aliando visão estratégica, capacidade de execução e adaptação a um setor em rápida transformação tecnológica e ambiental.
De que forma a crescente integração tecnológica e a digitalização das operações estão a transformar o perfil do talento valorizado pelas empresas de energia?
A crescente integração tecnológica e a digitalização das operações estão a redefinir, de forma muito clara, o perfil de talento valorizado pelas empresas de energia. Em Portugal, onde se verifica um forte investimento em renováveis e na modernização das infraestruturas, a operação tornou-se progressivamente mais orientada por dados, automação e sistemas de monitorização em tempo real.
Hoje, já não basta o domínio técnico tradicional. As organizações procuram perfis híbridos, que combinem competências de engenharia com literacia digital, capacidade analítica e familiaridade com sistemas de gestão de ativos, manutenção preditiva e plataformas inteligentes de monitorização. A capacidade de antecipar falhas, otimizar performance e tomar decisões com base em dados passou a ser um fator diferenciador.
Esta evolução está também a transformar as lideranças técnicas, que precisam de compreender o impacto da digitalização na eficiência operacional, na redução de custos e na sustentabilidade dos ativos. Num setor cada vez mais tecnológico e competitivo, as empresas valorizam profissionais capazes de integrar inovação digital com robustez operacional, assegurando simultaneamente fiabilidade, eficiência energética e alinhamento com as exigências regulatórias.
Quais são hoje os principais desafios na atração e fidelização de profissionais técnicos e especializados, tanto na energia tradicional como nas renováveis?
A atração e fidelização de profissionais técnicos e especializados continua a ser um dos maiores desafios do setor energético, tanto na energia tradicional como nas renováveis. A escassez de engenheiros com experiência em energias renováveis, especialistas em manutenção de infraestruturas críticas e gestores de projeto com histórico sólido tem intensificado a competitividade entre empresas.
No segmento das renováveis, o crescimento acelerado dos investimentos em solar, eólico e armazenamento tem feito aumentar a procura por talento a um ritmo superior à capacidade de formação e disponibilização do mercado. Já na energia tradicional, o desafio passa não só por reter conhecimento técnico altamente especializado, mas também por promover a requalificação de perfis para responder às novas exigências da transição energética.
Acresce que estes profissionais são cada vez mais disputados por setores como indústria, construção e tecnologia, que oferecem condições salariais competitivas e percursos de carreira atrativos. Do que observo no mercado, a fidelização já não depende apenas da componente salarial, mas sobretudo da qualidade dos projetos, estabilidade organizacional, oportunidades de progressão e do reconhecimento do impacto estratégico destas funções num setor crítico e em profunda transformação.
Tendo em conta os objetivos de sustentabilidade e eficiência, como está a evoluir a valorização salarial e a progressão de carreira no setor da Energia em Portugal?
A valorização salarial no setor da Energia tem evoluído em linha com a crescente complexidade técnica das funções e com a pressão associada aos objetivos de sustentabilidade e eficiência. O Guia Salarial 2026 evidencia que posições de gestão técnica e de projeto podem situar-se, de forma geral, entre os 50.000 e os 90.000 euros anuais, refletindo a dimensão dos investimentos, a criticidade dos ativos e o grau de responsabilidade estratégica.
Mais do que aumentos salariais transversais, o que se observa no mercado é uma valorização diferenciada das competências. Perfis com experiência em energias renováveis, gestão de projetos de grande escala, eficiência energética ou digitalização de operações tendem a posicionar-se nas bandas salariais superiores, acompanhando a transformação tecnológica e regulatória do setor.
Ao nível da progressão de carreira, nota-se uma evolução cada vez mais multidisciplinar: profissionais com base técnica estão a transitar para funções de gestão de projeto, direção de operações ou áreas ligadas à sustentabilidade e ESG. Do que tenho acompanhado no mercado, a progressão deixou de ser exclusivamente hierárquica para se tornar também funcional e especializada, refletindo a necessidade de integrar engenharia, estratégia e conformidade ambiental.
Num setor fortemente impulsionado por metas de descarbonização e eficiência energética, as organizações estão cada vez mais conscientes de que a valorização e retenção do talento técnico é um fator crítico para garantir competitividade, continuidade operacional e crescimento sustentável em Portugal.






































