O CEO da The Equator Company, Filipe de Morais Vasconcelos, anunciou a criação do “Action Tank”, uma nova iniciativa que pretende aproximar empresas, reguladores e entidades públicas para desenvolver respostas concretas aos desafios da sustentabilidade e da resiliência, durante o Equator Insights Forum 2026, que decorreu em Lisboa, nesta terça-feira.
A decisão surge num contexto marcado por eventos recentes que evidenciaram fragilidades estruturais em Portugal. “Nós, de facto, decidimos criar esta iniciativa. Nós sentimos, neste último ano, uma série de mudanças e de testes que Portugal foi experienciando”, afirmou o responsável. Entre os exemplos, destacou o apagão energético ibérico e fenómenos meteorológicos extremos, como as tempestades que assolaram o Centro do país.
“Esta mudança que nós estamos a sentir no clima, as tensões geopolíticas, a pressão sobre as cadeias de valor colocam desafios que nos obrigam a olhar para as infraestruturas de outra forma. Temos que olhar para as empresas e para os negócios de outra forma”, sublinhou.
Num cenário global cada vez mais imprevisível, Filipe de Morais Vasconcelos alertou que novos choques são inevitáveis: “vivemos num mundo que está a acelerar a sua transformação. Não sabemos exatamente quando é que vai ser o próximo choque, mas ele vai existir”, disse, acrescentando que muitas falhas ocorrem precisamente nos pontos de interseção entre diferentes sistemas. “É nesta fronteira que, muitas vezes, as falhas acontecem e é aqui que estamos juntos para tentar encontrar soluções”.
A iniciativa surge também da experiência acumulada pela consultora, que conta com mais de uma centena de especialistas e presença internacional. “Hoje identificamos que as empresas que estão melhor preparadas fazem-no com uma visão de resiliência ligada à sustentabilidade”, explicou. Conceitos como “Sustainable by Design” ganham destaque, ao integrar a resiliência na estratégia de longo prazo. “Os testes e planos de resiliência não devem servir apenas para cumprir uma obrigação, mas para olhar para o negócio de uma forma diferente”.
Outro ponto é a “necessidade de melhor coordenação entre as diferentes entidades”, mesmo entre as públicas e as privadas.
Além disso, destacou o papel do ordenamento do território na construção de resiliência: “perceber, do ponto de vista do ordenamento do território, como é que podemos torná-lo mais resiliente e encontrar outras formas de o organizar” será determinante para a sobrevivência das empresas no futuro.
Assim, com o “Action Tank”, a ambição passa por criar um espaço de colaboração ativa onde diferentes atores possam desenvolver soluções práticas para enfrentar um contexto cada vez mais exigente e incerto.






































