O trabalho híbrido pode reduzir as emissões de carbono associadas às deslocações profissionais em até 90%, segundo um novo estudo da International Workplace Group, desenvolvido em parceria com a Arup. De acordo com o documento, trabalhar mais perto de casa permite reduzir as emissões individuais, sendo a deslocação diária para escritórios no centro das cidades o principal fator de impacto.
A investigação analisou seis cidades nos Estados Unidos e no Reino Unido, concluindo que as maiores reduções ocorrem em regiões com forte dependência do automóvel. Atlanta lidera com uma redução potencial de 90%, seguida de Los Angeles (87%) e Nova Iorque (82%). Já no Reino Unido, cidades como Glasgow (80%), Manchester (70%) e Londres (49%) também apresentam ganhos relevantes.
Na Europa, o transporte continua a ser um dos principais desafios ambientais. Segundo a Agência Europeia do Ambiente, o setor representa cerca de 25% das emissões de gases com efeito de estufa, sendo o único onde estas têm aumentado nas últimas décadas.
Em Portugal, o cenário é igualmente preocupante. O setor dos transportes representa cerca de 30% das emissões e 35,4% do consumo final de energia, de acordo com dados do Inventário Nacional de Emissões. A forte dependência do automóvel, utilizado por 66% da população nas deslocações diárias, agrava este impacto, especialmente em áreas urbanas como Lisboa, onde entram diariamente cerca de 390 mil veículos.
Neste contexto, o estudo aponta que países com elevados níveis de deslocação pendular, como Portugal, têm um potencial significativo para reduzir emissões através da adoção de modelos híbridos e descentralizados.
Além do impacto ambiental, o trabalho híbrido apresenta benefícios económicos e sociais. Estudos indicam aumentos de produtividade na ordem dos 11% nos EUA e 12% no Reino Unido, bem como melhorias no bem-estar e no equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
As empresas também beneficiam diretamente: organizações que adotaram este modelo já conseguiram reduzir o consumo energético em cerca de 19%, graças a uma utilização mais eficiente dos espaços de escritório.
Para Mark Dixon, fundador e CEO da IWG, os resultados são claros: aA deslocação diária para escritórios no centro das cidades é um dos maiores fatores de impacto ambiental, e a simples redução das viagens pode gerar uma diminuição significativa das emissões.”
O responsável sublinha ainda a importância de políticas públicas e infraestruturas adequadas para acelerar esta transição. “a maior mudança que podemos fazer neste momento é dar às pessoas a possibilidade de trabalhar mais perto de onde vivem, com menor impacto ambiental”, afirmou.







































