Unidos Contra o Desperdício é hoje uma “referência nacional” no combate ao desperdício alimentar

Unidos Contra o Desperdício é hoje uma “referência nacional” no combate ao desperdício alimentar

No dia 26 de setembro de 2020 foi, pela primeira vez, assinalado pela Organização das Nações Unidas (ONU) o “Dia Internacional da Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar”. Foi a propósito desta efeméride que a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares em nome da presidente, Isabel Jonet, impulsionou o “Movimento Unidos Contra o Desperdício”. O foco centrava-se em “agregar” todos os setores: “produção, transporte, indústria, distribuição e consumidor final”.

Em entrevista exclusiva à Ambiente Magazine, Francisco Mello e Castro, coordenador do “Movimento Unidos Contra o Desperdício”, reconhece que o desperdício alimentar é um “tema” e um “problema” de há muitos anos, ligado, especialmente, às “novas gerações” que, quando comparadas com as mais antigas, são muito mais consumidoras: “Hoje há desperdício em todas as áreas”. O Manifesto surge assim de forma “orgânica” e “espontânea”, contando, atualmente, com 10 fundadores que têm como objetivo “claro” trazer mais “awareness” e mais “consciência” para o tema do desperdício alimentar. O facto de ter sido impulsionado pelo Banco Alimentar, o responsável evidencia o “papel relevante” desta associação no combate ao desperdício alimentar: “Posicionou-se sempre na luta contra a fome. E dezenas de parceiros de negócio canalizam toneladas de alimentos para o Banco Alimentar”. 

Destes três meses de Movimento, o balanço não podia ser melhor: “Começamos com o pé direito. Já temos centenas de empresas que aderiram e mais várias dezenas que estão no caminho para aderir ao Movimento e milhares de particulares que querem fazer parte”. Tendo em conta o objetivo principal – “colocar o Movimento no mapa” – esse foi bem conseguido: “É uma referência nacional no que diz respeito ao combate ao desperdício alimentar”. Ainda assim, diz o responsável, “há sempre pontos a melhorar e resultados melhores que podem ser alcançados”. E sobre um dos desafios mais complexos que este Movimento vai ter no médio e longo prazo, Francisco Mello e Castro refere que tem que ver com o “conseguir” saber quais os “níveis de desperdício que existem”, ou seja “quantificar” aquilo que é evitado para o desperdício. 

O tema é levado a sério pelos portugueses

Relativamente à temática sobre o desperdício alimentar, o coordenador do Movimento chama a atenção para a “grande falta de literacia” que existe: “É um tema que tem de ser querido de todos porque todos podemos fazer mudanças”. Segundo o responsável, a generalidade das pessoas pensa que a “maior fonte de desperdício” está nos “supermercados”, mas, a verdade é que as “casas” é que são: “Estima-se que 40% do desperdício é feito em casa dos portugueses”. Para o responsável, há “muita matéria” que precisa de ser “desmistificada, desconstruída e comunicada” em torno do desperdício alimentar. Ainda assim, a recetividade que o Movimento teve, ao longo dos primeiros três meses, leva a crer que “o tema é levado a sério pelos portugueses”, acredita o responsável. E a pandemia da Covid-19 teve também impacto na redução do desperdício alimentar: “As pessoas acabaram por ter mais tempo e conseguiram planear mais as refeições e as idas aos supermercados, não desperdiçando tanto os alimentos”. Também, o facto de estarem mais tempo em casa, “as pessoas estão mais disponíveis” para “aprender” ou “reinventar receitas”, refere. 

O futuro é perspetivado com otimismo e com um sonho: “Ano após ano, que tenhamos cada vez mais uma sociedade preocupada com o tema e mais envolvida em agir contra o tema”. Francisco Mello e Castro acredita que a “consciencialização” é um forte contributo para a “mudança de comportamento”. E, uma vez que, o Movimento não tem uma “operação”, o objetivo é mesmo “dar palco” a quem “combate diretamente o desperdício alimentar” e “dar mais visibilidade” a iniciativas que “inspirem outras a acontecer”.

O ano 2021… 

É objetivo do Movimento organizar um “calendário de atividades” e um “plano de ações” de sensibilização e educação para os próximos anos. Para 2021 estão previstos alguns momentos de comunicação institucional.

Neste primeiro trimestre do ano, o Movimento vai centra-se no tema das “datas de validade” que será trabalhado em linha com a APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição) e com a CNCDA (Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar): “Queremos educar o consumidor para saber a data das validades. Há grandes diferenças nas denominações que se usam e isso implica uma forma diferente de se consumir os produtos”, refere. Um outro momento focar-se-á numa “campanha” direcionada para as escolas, consciencializando a camada mais jovem sobre o desperdício alimentar. Em setembro, mês em que se completará um ano do Movimento, haverá também uma ação de consciencialização à volta do tema. Por fim, no Natal, época tradicionalmente de desperdício, o Movimento vai apostar numa “grande campanha” de sensibilização, refere o responsável. 

Paralelamente ao calendário previsto, serão várias as ações que estão a ser planeadas com as marcas que estão a aderir com o Movimento de forma a consciencializar o mercado de uma forma geral. 

 

*Fotos: Facebook do Unidos Contra o Desperdício

Cristiana Macedo