Vendas de carros convencionais têm de acabar nos próximos 15 anos para se cumprir o Acordo de Paris

Vendas de carros convencionais têm de acabar nos próximos 15 anos para se cumprir o Acordo de Paris

As vendas de novos veículos a gasóleo e gasolina terão de acabar nos próximos 15 anos, para que se cumpram metas ambientais, indica um estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E). Segundo a análise da federação, para cumprir o objetivo de descarbonizar o setor dos transportes até 2050, e atingir as metas do Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa, a Europa deve acabar com as vendas de novos veículos a gasolina e gasóleo no início da década de 2030.

A União Europeia pode mais facilmente alcançar as emissões zero no setor através da transição para veículos elétricos e a hidrogénio, salienta o estudo “Roteiro para a descarbonização dos veículos ligeiros na Europa”.

A T&E, uma organização ambientalista não governamental que representa 58 entidades de 26 países, especialmente grupos ambientalistas, incluindo a associação portuguesa Zero, diz que a solução não passa por medidas para reduzir a procura de veículos convencionais, que só iriam reduzir emissões de gases em 28%, em 2050.

A organização propõe, por exemplo, o aumento de taxas rodoviárias e impostos sobre os combustíveis, a partilha de veículos e o maior uso de transportes públicos, o que iria reduzir o trânsito e tornar as cidades mais habitáveis. E diz que a maior fatia em termos de redução de emissões requer uma transição para veículos de emissão-zero até 2035, o mais tardar.

“Os veículos com motores a combustão que ainda estejam a circular nas estradas europeias em 2050 terão de ser banidos”, diz a T&E, citada num comunicado da organização ambientalista portuguesa Zero.

O estudo conclui também que será “quase impossível” produzir combustíveis líquidos com baixo teor de carbono, em quantidade suficiente e de forma rentável, para abastecer todos os veículos a circular nas estradas europeias e que os biocombustíveis também não serão solução, como não serão solução os combustíveis sintéticos, que exigem “enormes quantidades” de eletricidade, e nem mesmo o biometano.

Ainda de acordo com o estudo, para atingir as metas de redução de emissões de dióxido de carbono em 2030 era preciso que um terço dos novos veículos vendidos fossem híbridos “plug-in” (semi-elétricos).

A T&E salienta ainda que na estratégia de descarbonização de longo prazo (2050), que será apresentada no dia 28, “a UE deve estabelecer a forma como irá reduzir as emissões dos transportes”.

Na UE o setor dos transportes é a maior fonte de emissões de gases com efeito de estufa (27% do total de emissões, com os veículos ligeiros a representarem 44% desse valor) e o único setor em que as emissões cresceram desde 1990.

Num comunicado, a Zero cita ainda o secretário de Estado para a Mobilidade, José Mendes, que assumiu como objetivo que a partir de 2040 os veículos ligeiros de passageiros e comerciais sejam de emissões-zero ou baixas emissões. A associação portuguesa ambientalista diz que é demasiado tarde e defende que a transição para a frota elétrica se faça antes de 2030.