Um estudo liderado por investigadores do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, e publicado na revista científica internacional Aquaculture Nutrition, demonstra que é possível reduzir o uso de farinha de peixe na alimentação do robalo de aquacultura sem comprometer o crescimento, nem o valor nutricional do peixe. O estudo revelou ainda um aumento significativo na absorção de ferro pelo peixe, um mineral essencial para a saúde humana. A investigação foi desenvolvida no âmbito do projeto Pep4Fish, financiado pelo Pacto da Bioeconomia Azul, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O estudo português recorre a uma abordagem de economia circular, transformando subprodutos da indústria alimentar – como partes não consumíveis de pescado, pele de tintureira e subprodutos de suíno – em ingredientes alimentares de alto valor para os peixes. Estes ingredientes são obtidos através de um processo que “pré-digere” as proteínas, transformando-as em pequenas partículas mais fáceis de absorver pelo organismo do robalo.
Durante 89 dias, juvenis de robalo foram alimentados com dietas em que parte da farinha de peixe foi substituída por estes ingredientes inovadores (hidrolisados). Os resultados mostraram que os peixes cresceram normalmente, mantiveram uma elevada eficiência alimentar e produziram um filete de alta qualidade, com níveis de ómega-3 adequados para uma alimentação saudável. Ou seja, foi possível reduzir a dependência da farinha de peixe, um recurso limitado, sem perda de qualidade para o consumidor.
O resultado mais inovador do estudo foi o aumento muito expressivo da biodisponibilidade do ferro. As dietas testadas permitiram que o robalo absorvesse até três vezes mais ferro do que os peixes alimentados com a dieta tradicional. Na prática, isto significa que o peixe passa a aproveitar melhor este mineral essencial. Os investigadores explicam que este efeito se deve à forma como estas proteínas transformadas se ligam ao ferro, facilitando a sua absorção pelo intestino.
Este avanço tem um impacto relevante, ao promover uma aquacultura mais sustentável, que reutiliza subprodutos, reduz desperdício, diminui a pressão sobre os recursos marinhos e reforça a autonomia da produção nacional de alimentos para peixes.
Promovido pelo Pacto da Bioeconomia Azul e financiado através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Pep4Fish representa um investimento estratégico para tornar Portugal um líder europeu no aproveitamento sustentável de recursos marinhos e na criação de soluções de nutrição mais eficientes, circulares e com menor pegada ambiental.
O consórcio do projeto integra empresas e centros de investigação que trabalham em conjunto para desenvolver proteína hidrolisada e outros ingredientes funcionais capazes de modernizar a aquacultura e reforçar a competitividade do setor. É liderado pelo Grupo ETSA, e reúne nove parceiros: AgroGrIN Tech, B2E – CoLAB para a Bioeconomia Azul, CIIMAR, Seaculture, Savinor, Sorgal, Sebol, ITS – Indústria Transformadora de Subprodutos e a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.









































