#EconomiaCircular: B·SEArcular procura combater os plásticos no oceano através da moda sustentável

#EconomiaCircular: B·SEArcular procura combater os plásticos no oceano através da moda sustentável

A Economia Circular está, hoje, subjacente em muitas empresas. Produtos sustentáveis, amigos do ambiente e com um ciclo de vida longo são, cada vez mais, uma opção. Há também quem ponha em prática estes conceitos e desenvolva os seus próprios produtos. Com o objetivo de dar “voz” a projetos de cariz sustentável, a Ambiente Magazine irá, todas as semanas, apresentar algumas iniciativas aos nossos leitores e dar a conhecer o que se faz em Portugal nesta área. Esta semana, partilhamos o “B-SEArcular

O B·SEArcular (#BSEArcular) é uma aliança formada pela Lisbon School of Design (LSD), a A. Sampaio & Filhos, a Lemar, a INEDIT Studio, a Seaqual Initiative e a multinacional de tecnologia Epson. Trata-se de um projeto de moda sustentável que procura tornar a economia circular uma realidade: “Queremos conseguir, por cada um de nós, que os mares estejam cada vez mais limpos e que os tecidos sejam mais sustentáveis”, declara Raul Sanahuja, responsável de comunicação da Epson.

O aumento do lixo plástico é uma das ameaças mais reais aos ecossistemas em todo o mundo. Em 2025, haverá no oceano uma “tonelada de plástico para cada três toneladas de peixe” e, em 2050, o “peso do plástico poderá vir a ultrapassar o dos animais marinhos”. De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), “5,3% destes resíduos resultam das atividades recreativas, 5,9% do saneamento e 3,6% da pesca e aquacultura”. Foi precisamente para combater esta problemática que a surgiu a iniciativa B·SEArcular. Este projeto mostra que através da economia circular é possível dar uma reviravolta ao atual paradigma, através de “diferentes agentes” e do “reaproveitamento dos plásticos que ancoram nos oceanos” para a “fabricação de tecidos” que, posteriormente, serão “transformados em peças de moda”, sustenta.

Desde sempre que a sustentabilidade está no ADN da Epson e este projeto é a prova disso mesmo: “Queremos demonstrar que é possível reintroduzir materiais que se deram como perdidos, retirando os plásticos da costa e aproveitá-los para tecidos, imprimindo os padrões com métodos altamente sustentáveis através da tecnologia de sublimação da Epson”, afinca. Tecnologia essa que, segundo Raul Sanahuja, permite “80% de economia de energia, consome 60% menos água” e, portanto, “reduz consideravelmente a procriação de resíduos associados ao processo produtivo”. Além disso, graças ao seu “processo rápido” e ao facto de que “não é necessário um mínimo de produção”, as peças de roupa com designs diferentes podem ser “personalizadas de uma forma quase única”. A isto, acresce o facto de permitir economizar nas emissões de CO2 do transporte: “A tecnologia dispensa grandes espaços de instalação, por isso está a ajudar a realocar a indústria da moda e a trazer de volta os processos produtivos ao nosso país, apostando na produção quilómetro zero”, explica. Depois, assegura o responsável, a EPSON possui “várias certificações” que comprovam que as tintas utilizadas são “seguras e resistentes à transpiração e à lavagem”.

Acreditamos que ajudar no combate às alterações climáticas e respeitar o meio ambiente cabe a cada um de nós

O B·SEArcular arrancou em dezembro de 2020 junto dos alunos de Design de Moda da Lisbon School of Design e, neste momento, já são 70 alunos a trabalhar nas suas propostas de coleção cápsula. Posto isto, o balanço não podia ser mais positivo: “O facto de estar já, a impactar a mente de dezenas de alunos que irão trabalhar com materiais de vestuário e acessórios é para nós um grande passo”. Para Raul Sanahuja, mostrar a esta camada estudantil que “podem ser criativos”, reutilizando materiais que estão “entregues aos mares e a ameaçar os oceanos e centenas de espécies marinhas”, é já um grande caminho. E o objetivo da Epson é precisamente dar “continuidade a esse caminho” e, ao mesmo tempo, “implementar projetos que possam dar asas ao B·SEArcular”, chegando ao “maior número possível de agentes envolvidos” na moda e na sustentabilidade, refere.

Quanto ao futuro, a Epson está empenhada em alcançar a sua “Visão Ambiental 2050”, da qual tira partido das suas “tecnologias eficientes, compactas e de precisão”, enquanto toma “medidas agressivas para reduzir o impacto ambiental dos seus produtos e operações comerciais ao longo da sua cadeia de valor”. E parte dessa mesma estratégia e compromisso com o meio-ambiente é envolver a comunidade em projetos como o B·SEArcular: “Acreditamos que ajudar no combate às alterações climáticas e respeitar o meio ambiente cabe a cada um de nós e, se pudermos ajudar a impulsionar a essa mudança, excelente”.

As marcas terão de ter ainda mais atenção na qualidade dos produtos que vendem e especialmente, como comunicam

Relativamente a Portugal, Raul Sanahuja considera a indústria têxtil tem sido “pioneira” na inovação para a sustentabilidade na produção de fibras: “Várias empresas nacionais têm trabalhado para diminuir não só os gastos de água, como de energia e emissão de gases”. Estas são, assim, “excelentes notícias” e que mostram que o país tem trabalhado para “inovar no caminho da sustentabilidade”. Contudo, é claro o trabalho que Portugal tem pela frente, refere, destacando a importância de se “seguir modelos de países mais avançados” nestas questões: “Podemos e devemos ir sempre dando abertura ao caminho de informar e transmitir conhecimento sobre os números de poluição que nos vão chegando, para que cada um possa dar a sua contribuição, sentindo-se parte da mudança”.

Olhando para a situação pandémica que o mundo vive, o responsável acredita que as “possibilidades” de se tentar manter o mundo sustentável são sempre “oportunidades”. E as marcas têm-se reposicionado cada vez mais para se manter no “bom caminho” e no “coração dos consumidores”, estando mais “atentas à responsabilidade social, ao meio ambiente e ao respeito pela natureza e animais”, constata. Aliás, se este fator era já uma “tendência”, a pandemia veio confirmar essa importância: “As marcas terão de ter ainda mais atenção na qualidade dos produtos que vendem e especialmente, como comunicam”, afirma.

Quanto ao papel dos líderes políticos nestas matérias, Raul Sanahuja evidencia que o Governo português tem vindo a trabalhar em programas de energias limpas, com enfoque na “redução da utilização de centros de energia a carvão”, no “investimento em energias renováveis ​​para a produção de energia”, bem como na “promoção frotas elétricas no transporte nacional e nos automóveis do setor público”. Do ponto de vista do responsável de comunicação da Epson, estes exemplos são “grandes passos” para os “líderes políticos agarrarem estes temas e influenciar a comunidade a adotar melhores práticas ambientais”.

Quais as perspetivas para o futuro sobre estas matérias?

Acho que os temas da economia circular e reaproveitamento de matérias estão cada vez mais nas priority lists dos governos e da população no geral. Afinal em Portugal, 76% dos portugueses assumem preocupação com o meio ambiente; 23% consideram que esta preocupação pode aumentar e 20% referem estar mais preocupados do que antes (dados de junho de 2020). Todos estes são bons indicadores para uma perspetiva positiva. Acho que vamos no bom caminho, afinal, já começámos e esse é o melhor ponto de partida. Esperamos, enquanto líder tecnológico e com um forte compromisso com a sustentabilidade, ser um agente ativo nesta mudança.

Cristiana Macedo