Por Elena Garbujo, Country Manager da Swappie em Portugal, Itália e Irlanda
Durante anos, habituámo-nos a olhar para a tecnologia como algo que precisava de ser constantemente substituído. O novo era sempre melhor, sempre mais desejável, sempre sinal de progresso. No entanto, à medida que a consciência ambiental se torna parte essencial das nossas escolhas, começámos a perceber que talvez a verdadeira inovação não esteja apenas na criação de equipamentos mais avançados, mas antes na forma como prolongamos a vida dos que já existem. E é aqui que os recondicionados assumem um papel cada vez mais relevante.
Um dispositivo recondicionado é um equipamento que já teve uma primeira vida, mas que foi cuidadosamente testado, reparado quando necessário e devolvido ao mercado em pleno funcionamento. Pode apresentar pequenas marcas estéticas, mas continua tecnologicamente apto para acompanhar o nosso dia a dia. Mais importante ainda, segundo dados da Greenly, a sua recuperação consome muito menos recursos do que a produção de um aparelho novo. Quando pensamos nos materiais raros e na energia usada para fabricar um único smartphone, percebemos facilmente o impacto positivo de dar uma segunda vida ao que já existe.
Esta lógica sustentável está finalmente a ganhar expressão global. De acordo com um estudo de 2024 desenvolvido pela IDC, o mercado de equipamentos recondicionados deverá atingir os 100 mil milhões de euros até 2027, um número que mostra que esta mudança não é apenas uma tendência, mas uma transformação real na forma como consumimos tecnologia. Em Portugal, esta evolução sente-se de forma clara. Desde 2020, temos assistido a um crescimento significativo da procura por recondicionados, impulsionada por consumidores que valorizam preço, desempenho e impacto ambiental. Smartphones, tablets e computadores portáteis continuam a liderar as preferências, e a experiência de utilização entre um equipamento novo e um recondicionado é, na maioria dos casos, praticamente indistinguível.
Claro que esta confiança não surgiu “do nada”. Empresas especializadas, têm desempenhado um papel crucial ao profissionalizar todo o processo de recondicionamento: dezenas de testes rigorosos, transparência no estado do equipamento e garantia incluída. Este nível de cuidado eliminou receios antigos e tornou a compra de um recondicionado uma opção segura, fiável e responsável.
Num momento em que o impacto ambiental do consumo tecnológico é cada vez mais evidente, o recondicionamento apresenta-se como uma solução simples e acessível para reduzir emissões, poupar recursos e evitar o crescimento acelerado dos resíduos eletrónicos. Não exige esforço adicional do consumidor, não compromete a performance e permite alinhar tecnologia com consciência ambiental.
Acredito que o futuro do recondicionamento é inevitável. Não porque substitui o novo, mas porque redefine o que significa fazer escolhas inteligentes num mundo com recursos limitados. Prolongar a vida de um dispositivo é um gesto que combina racionalidade económica com responsabilidade ambiental e, acima de tudo, aproxima-nos de um modelo de consumo mais maduro e sustentável. Se há uma revolução necessária no setor tecnológico, é precisamente esta: a de entender que o futuro não depende apenas do que inventamos, mas da forma como valorizamos aquilo que já temos.







































