A árvore mais alta da Amazónia tem 88 metros de altura e está a salvo dos incêndios

A árvore mais alta da Amazónia tem 88 metros de altura e está a salvo dos incêndios

A árvore mais alta da floresta amazónica mede 88 metros e está no extremo norte do Brasil, a salvo dos incêndios que consomem a área, de acordo com um levantamento feito por investigadores brasileiros e britânicos. Localizado próximo de um santuário de árvores gigantes na fronteira entre os estados do Pará e Amapá, o maior exemplar da espécie Dinizia excelsa, conhecida popularmente como Angelim vermelho, “chega a medir 88 metros de altura e 5,5 metros de circunferência”, detalha a investigação divulgada esta semana pela Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amapá (SETEC).

A espécie é comum na região, mas os seus exemplares “geralmente atingem 60 metros”, disse Eric Bastos, coordenador da investigação realizada em agosto por cientistas da Universidade Federal dos Vales de Jequitinhonha (UFVJM) e das universidades britânicas Cambridge e Swansea. “Temos aqui uma grande descoberta e, agora, um compromisso de preservar as maiores árvores da Amazónia”, acrescentou.

As árvores foram identificadas com a utilização de sensores aéreos. Contudo, como avistaram árvores “com alturas superiores às comuns encontradas na Floresta Amazónica”, o grupo organizou uma expedição para identificar os exemplares. Iniciada a 13 de agosto, a expedição partiu de Laranjal do Jari, no sul do Amapá, e percorreu 220 quilómetros no Rio Jari.

Graças à sua localização remota, o santuário está fora das áreas afetadas pelos incêndios, disseram fontes da Setec à AFP esta terça-feira.

Nas últimas semanas, os focos de incêndio multiplicaram-se em todo o Brasil. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais brasileiro (Inpe), órgão público que mede a desflorestação no país, nos seis primeiros meses do ano houve um crescimento de 212% nas áreas desflorestadas da Amazónia face ao mesmo período de 2018.

Porém, os valores registados em julho vieram mostrar um aumento muito superior, com a desflorestação da Amazónia a aumentar 278% nesse mês, em relação ao período homólogo de 2018.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

Fotografia tirada pelo SETEC à árvore, quando do registo para investigação. Rafael Aleixo / SETEC /AFP