A crise climática ameaça a água e o saneamento

A crise climática ameaça a água e o saneamento

Categoria Águas, Ambiente

A cada 19 de novembro, a Fundação We Are Water assinala o Dia Mundial do Saneamento Básico com o objetivo de recordar a necessidade de adotar medidas que permitam dar resposta à crise de saneamento mundial.

Os dados que permitem supervisionar o grau de cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) demonstram a necessidade de avançar muito mais rapidamente no que toca ao ODS 6: “Assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todos.” Se nada mudar, apenas 40 dos 152 países estão bem encaminhados para conseguir um saneamento básico “quase universal” até 2030.

A crise climática implicará um aumento de fenómenos meteorológicos extremos e afetará diretamente as infraestruturas sanitárias e o abastecimento de água, dificultando a concretização do objetivo proposto. Estima-se que, durante a próxima década, haverá cada vez mais pessoas deslocadas em contexto de desastres e alterações climáticas.

A água e as alterações climáticas estão unidas de forma indissociável, pois os efeitos daquelas começam a manifestar-se através da água sob a forma de secas, inundações e tempestades. Estes desastres podem destruir casas de banho e redes de abastecimento de água, criando águas contaminadas que põem em perigo a vida de milhões de pessoas.

O relatório do Banco Mundial Groundswell: Preparing for Internal Climate Migration lança um alerta sobre as consequências negativas que estes fenómenos podem ter em algumas das zonas mais vulneráveis do planeta, tais como a África subsariana, a Ásia meridional e a América Latina. Estas zonas apresentarão a maior pujança demográfica nas próximas décadas, e são fundamentais para o equilíbrio da humanidade. O relatório revela estimativas preocupantes: até 143 milhões de pessoas nestas áreas podem vir a converter-se em migrantes climáticos internos em 2050. Destas, 86 milhões na África subsariana, 40 milhões na Ásia meridional e 17 milhões na América Latina.

À luz destas conclusões, a sociedade deve questionar-se sobre uma série de temáticas relacionadas com a desigualdade, a limpeza das cidades, a sustentabilidade e o impacto das alterações climáticas. Administrações e instituições em geral devem remar na mesma direção no momento de encontrar soluções que façam frente à proliferação de fenómenos extremos de que sofrem e continuarão a sofrer várias zonas do mundo.