Agricultores algarvios pedem nova barragem para combater os efeitos da seca

Agricultores algarvios pedem nova barragem para combater os efeitos da seca

Os agricultores do nordeste algarvio, no distrito de Faro, defendem a construção de uma barragem para solucionar os longos períodos de seca que estão a afetar a agricultura e a condicionar novos investimentos em culturas de regadio. “A construção de uma barragem é a melhor solução. As ribeiras e as pequenas charcas que foram feitas estão secas e, neste momento, as pessoas não têm alimento nem água para os animais e até as culturas de sequeiro estão em risco”, alertou o representante da associação, citado pela agência Lusa.

Para combater os impactos da seca, o Governo alargou aos dois concelhos as Medidas Seca 2017, que preveem apoios para o transporte, captação e armazenamento de água. Segundo os agricultores, as medidas não resolvem o problema, “apenas minimizam uma situação que é recorrente há vários anos”.

No entender de Valter Luz, o nordeste algarvio tem sido esquecido ao longo dos anos e é preciso mais “vontade política para olhar para o problema dos agricultores e mudar as coisas, sob pena de a zona se converter num deserto”. “Este ano, o problema atingiu o seu ponto mais grave, problema esse que se tem agravado desde 2013”, frisou o representante, acrescentando que “os responsáveis políticos têm de olhar para a zona com perspetiva de futuro e dar garantias às pessoas de que podem fazer agricultura, com água”.

Celso Teixeira, apicultor e detentor de cerca de 100 cabeças de gado, referiu que a seca atingiu este ano o seu ponto mais alto, “verificando-se uma grande dificuldade em encontrar alimentação para os animais, devido à ausência de vegetação para o gado e de floração para alimentar as abelhas”. “Devido à ausência de pastagens, o gado tem de ser alimentado com palha e ração, o que se torna muito mais dispendioso”, referiu, acrescentando que a falta de água nos aquíferos “impede também de ter pequenas zonas de regadio” onde se possa manter o gado.

Celso Teixeira recordou que, noutros anos, a ribeira do Vascão, um dos maiores afluentes do rio Guadiana, já estaria a correr por si própria nesta altura, dando de beber aos animais. Porém, este ano está “completamente seca desde o verão”.

Para o presidente da Câmara de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves, a construção de uma barragem é a melhor solução para resolver o problema de falta de água, porque a seca deste ano tornou mais evidente as fragilidades agrícolas do concelho, com “vários os setores económicos da região” afetados. “Até os exploradores de zonas turísticas de caça cinegética estão a dar água aos animais, alimentando as charcas com recurso a autotanques, à semelhança do que se está a fazer em Viseu”, indicou o autarca.

Na sua opinião, o problema pode ser um mal que tenha vindo por bem, já que serviu para que o potencial da zona interior para combater a seca ficasse mais evidente. “No fundo o interior tem uma área significativa, com bons afluentes com caudais de água significativos, nomeadamente as ribeiras do Vascão e da Foupana, e que servirão certamente para fazer obras de retenção de água e resolver o problema da seca no interior e algum perímetro de rega”, destacou, referindo que “o nordeste é um contribuinte para a água que se gasta no Algarve e tem zero de perímetro de rega”.