“Água e energia são dois irmãos que vão ter que se dar bem a vida toda”, afirma ministro

“Água e energia são dois irmãos que vão ter que se dar bem a vida toda”, afirma ministro

Foram apresentados esta sexta-feira, dia 16 de abril, em sessão pública, dois projetos da EPAL (Empresa Portuguesa de Águas Livres): a “Reabilitação e Ampliação do Sistema de Alenquer IV” e a “Empreitada de Conceção Construção de Minicentral Hidroelétrica – EPAL 0%”.

“Estamos a assinalar dois projetos de grande amplitude, de modernidade e de sustentabilidade das nossas atividades”, disse na sessão de abertura José Sardinha, presidente da EPAL. Quanto ao primeiro projeto, José Sardinha lembrou o facto de se tratar de um “sistema com muitos anos” e que se insere num “outro projeto mais vasto” que é o de “colocação do Alviela” na posição de “infraestrutura” de segurança e de reserva estratégica: “A EPAL quer levar o Alviela para uma nova missão”, declarou. E a “desativação para o serviço corrente operacional” permite que a água que corre no Alviela – que nasce em Rio Maior e que percorre 114 quilómetros até ao centro de Lisboa – não tenha CO2 incorporado e não gaste energia: “Uma água mais sustentável”, classifica o presidente EPAL.

Já o segundo projeto, que assenta na construção da minicentral hidroelétrica da Asseiceira, José Sardinha refere que é de “maior dimensão, mais inovador”, colocando a EPAL como o “primeiro grande operador mundial 100% sustentável” em energia: “Permite que todos os recintos da empresa utilizem energia 100% verde produzida na própria empresa”. Segundo o presidente da EPAL, a energia é produzida através de fontes “fotovoltaica, hídrica e eólica”. Trata-se de um projeto desenvolvido em parceria com o Governo e com um investimento total de 70 milhões de euros: “É um projeto muito virtuoso e de grande importância que queremos replicar para outros territórios, onde já temos previsto outras centrais hidroeletricas”, destacou.

Juntar a inovação, compará-la e cruzá-la com o peso do conhecimento

João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Ação Climática, quis deixar bem presente a importância de “água” e “energia” serem dois conceitos totalmente dependentes um do outro: “Não tenho a mais pequena dúvida de que água e energia são mesmo dois irmãos que vão ter que se dar bem a vida toda”.

O projeto da construção da minicentral hidroelétrica levou Matos Fernandes a reiterar a importância de nunca esquecer que a água é cada vez mais um recurso escasso: “É sempre muito barata e o que às vezes é caro é mesmo a energia que é necessária para captar, elevar e tratar. E a forma de a tornar mais barata é, mesmo, tornar mais barato os sistemas energéticos”.

Lembrando o compromisso de Portugal de ser neutro em 2050, o ministro do Ambiente sublinhou que 80% da eletricidade consumida em 2030 vai ter como origem fontes renováveis e 100% em 2050: “Portugal tem a sorte de, com a sua dimensão, ter água, vento e sol para poder fazer uma aposta destas, ao contrário de outros países”. E projetos como os da EPAL também fazem acreditar que as metas vão ser mesmo cumpridas: “O desejo e a fixação destas metas é indutor de novas soluções”, disse, sublinhando que “as tecnologias estão a desenvolver-se muito depressa”. E por isso, além de cumprir as metas, Portugal vai fazê-lo de forma “mais eficiente” na gestão de recursos e, ao mesmo tempo, gerando riqueza.

Sobre o Grupo Águas de Portugal, que tem a ambição de ser o primeiro deste setor de atividade a ser neutro no mundo, João Pedro Matos Fernandes sublinhou a importância de existir “vontade política e gestão”, mas, também, ação e compromisso, sendo que projetos destes são de extrema importância. Tão importante é também “sermos capazes de juntar a inovação, compará-la e cruzá-la com o peso do conhecimento” de uma empresa como a EPAL, bem como “buscar à academia aquilo que pode ser diferente, sem nunca deixar de termos sentido crítico. As organizações têm de ter capacidade de entender e provocar aquilo que vem de fora”, sustenta. E tudo isto tem de ser feito com a “clara noção” de que se trata de um “serviço essencial para as populações” e que “não será mais abundante no futuro”, remata.

Cristiana Macedo