Aldeia de Ansião já tem “oficial de segurança” para alertar em caso de incêndio

Aldeia de Ansião já tem “oficial de segurança” para alertar em caso de incêndio

Categoria Ambiente, Florestas

A aldeia de Vale Florido, no concelho de Ansião, já tem um “oficial de segurança” pronto para ir à capela tocar a rebate e pegar no megafone para levar as pessoas até ao local de refúgio assim que avistar fogo, de acordo com a Lusa.

Na zona da Serra de Sicó, a aldeia de Vale Florido foi a escolhida para a apresentação dos programas “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras”, que preconizam a criação de um “oficial de segurança” em cada aldeia para transmitir avisos à população, organizar evacuações e realizar ações de sensibilização sobre incêndios.

Vestindo um colete laranja fluorescente da Proteção Civil, Silvério Teixeira, de 61 anos, polícia reformado, mostrou-se preparado para exercer o cargo na aldeia onde nasceu e que, recorda, foi a terra natal dos pais do escritor Fernando Namora, que doaram o terreno onde hoje está a capela – capela essa que servirá para dar o alerta.

“Na eventualidade – esperemos que não – de haver um incêndio, é tocar a rebate, dar o alerta e as pessoas, mediante o alerta, deslocarem-se para o nosso local de refúgio”, que, no caso de Vale Florido, é a sede da associação recreativa, onde Silvério é tesoureiro.

Depois do discurso do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, seguiu-se um simulacro de uma evacuação, onde toda a aldeia se mostrou preparada e organizada e até com alguns dotes teatrais.

Durante o simulacro, Silvério Teixeira circulou a aldeia munido de megafone a alertar que um grande incêndio estava a caminho, depois encaminhou as pessoas para o refúgio, fez a chamada dos presentes e até deu nota que havia um peregrino de Santiago de Compostela pela aldeia e que uma das pessoas que não respondeu à chamada estaria a trabalhar.

As pessoas, a maioria idosas, lá se deslocaram para o refúgio, levando os cães e gatos e houve até quem levasse a sua melhor galinha poedeira – não houve tempo para “salvar” as outras -, explicou uma habitante.

O convite para ser o “oficial de segurança” de Vale Florido surgiu na sexta-feira e de imediato Silvério Teixeira aceitou e, também de imediato, começou a cumprir as suas funções.

“Já andei a sensibilizar as pessoas e a alertá-las mais para um pinheiro ou outra árvore que pudesse cair para a residência. Há aqui uma situação que me preocupa e já estou a envidar esforços no sentido de contactar o senhor para fazer a limpeza em volta da residência”, frisou, garantindo que é “o único caso na aldeia” que o preocupa.

Silvério Teixeira salientou que conhece todas as pessoas da aldeia e isso vai tornar o trabalho mais fácil no caso de uma evacuação da localidade: “Se não estiverem nas suas residências, sei onde as posso procurar. Por exemplo, o moleiro, se não estiver em casa, está na moagem”.

Relativamente ao alerta com o sino da capela, recorda que isso já era hábito comum quando era criança, em que as pessoas, ao ouvirem o alerta, “agarravam em baldes para combater as chamas”.

Hoje, essas pessoas, têm “80 ou 90 anos e não vão combater”, notou, considerando que não podem fazer “finca-pé” quando forem chamadas para o refúgio.

Hoje, na aldeia de Vale Florido, foi assinado um protocolo entre a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) para a concretização do “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras”.

Os programas assentam na “gestão de combustível, plano de evacuação de aldeias e campanha de sensibilização”, segundo informação do Ministério da Administração Interna (MAI) avançada à agência Lusa.

Os programas estabelecem também a definição de locais de refúgio nas aldeias e a sensibilização das populações para o que fazer em caso de incêndio e como evitar comportamentos de risco, bem como a sinalização de caminhos de evacuação nos aglomerados populacionais.