APREN: Entre 2010 e 2017 renováveis criam mais de “55 mil empregos indiretos”

APREN: Entre 2010 e 2017 renováveis criam mais de “55 mil empregos indiretos”

Categoria Ambiente, Energia

No âmbito do Dia Mundial do Vento, a APREN promoveu no dia 18 de junho, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) uma conferência subordinada ao tema “A Energia Eólica – Presente e Futuro”.

Dos temas aboradados nesta sessão destacam-se: os desafios da penetração das renováveis no sistema elétrico nacional, a situação atual das renováveis na política energética e mais concretamente no Plano Nacional de Energia e Clima para 2030 (PNEC 2030), os requisitos técnicos para a produção eólica e os desafios que a tecnologia enfrenta na concretização das metas estabelecidas, bem como a bancabilidade dos projetos e a concorrência com a tecnologia fotovoltaica em termos de LCOE (Custo Nivelado de Energia). Durante a conferência apresentaram-se ainda projeções para uma descarbonização mais eficaz da economia, assinalando-se as principais perspetivas para as energias eólica e fotovoltaica, num debate que contou com a participação de especialistas da rede elétrica, académicos, empresas e autoridades locais.

Metas para 2030

De acrodo com a APREN, entre 2010 e 2017 verificou-se que as renováveis, através de um investimento industrial superior a 650 milhões de euros, criaram em Portugal cerca de “4 mil empregos diretos e 51 mil empregos indiretos”. Durante esse período foi também possível verificar que as “exportações de componentes resultantes do cluster industrial desenvolvido atingiram, em média, cerca de 278 milhões de euros por ano”, sendo que em 2017 se exportaram cerca de 400 milhões de euros. O crescimento do setor renovável contribuiu para a “redução da dependência energética externa do país, tendo esta ficado pelos 80% em 2017”, quando em 2007 havia atingido os 83%. Foi ainda destacada a redução dos custos de equipamento e construção e de operação e manutenção (O&M), o incremento da potência e eficiência dos novos aerogeradores, e a evolução dos custos de financiamento de projetos, assinalando-se as diferenças dos custos de financiamento merchant vs leilões (para o caso Espanhol).

Durante o evento foram realçados alguns desafios que se colocam à transição energética em Portugal, como a adequação dos mercados europeus à incorporação de elevados níveis de energia renovável variável, salientando-se a importância da harmonização de regulamentos no MIBEL e o reforço das interligações.

Para Pedro Amaral Jorge, Portugal “está no caminho certo”, ao ter definido as ambiciosas metas que constam no PNEC 2030, no que se refere à contribuição determinante da eletricidade renovável e da eletrificação dos consumos para a descarbonização da Economia Nacional. O presidente da APREN referiu ainda que “a eletricidade gerada com tecnologia eólica tem um papel fundamental na matriz de geração de eletricidade renovável. A transição energética em que estamos a entrar precisa da participação de todas as tecnologias, por forma que se consigam alcançar as metas do PNEC em termos de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis”.

A projeção até 2030, presente no PNEC 2030, estima que o sistema electroprodutor chegue a uma capacidade instalada de cerca de 30 GW (+15GW face a 2015), onde a eletricidade consumida terá de ter uma incorporação de renováveis de cerca de 80%. Para esta transição energética prevê-se que, na próxima década, a produção através do carvão desapareça (de 1,6 GW para zero) e que a produção fotovoltaica ganhe maior impacto (de 0,7 GW para 9 GW). Estas metas serão alcançáveis através da implementação de medidas definidas no PNEC 2030, tais como a priorização da eficiência energética, reforço das energias renováveis e redução da dependência energética nacional e a descarbonização da economia portuguesa.