Criação de área marinha protegida na Antártida ameaçada por falta de entendimento entre países

Criação de área marinha protegida na Antártida ameaçada por falta de entendimento entre países

A iniciativa lançada pela Austrália e pela França para criar uma nova grande área marinha protegida na Antártida poderá não se concretizar, por falta de acordo entre os países reunidos desde segunda-feira em Hobart, na ilha australiana da Tasmânia. O projeto, com uma área proposta de mais de um milhão de quilómetros quadrados, apresentado conjuntamente pela França e pela Austrália, havia já falhado em cimeiras anteriores da Comissão para a Conservação da Fauna e da Flora Marinhas da Antártida, avança a agência Lusa.

Esta comissão, que reúne 25 Estados e a União Europeia, determina as medidas de conservação e utilização de recursos marinhos na Antártida.

A China e a Rússia são os dois países que se opõem mais veementemente ao projeto, devido às preocupações relacionadas com os direitos de pesca.

Os Estados membros da Comissão vão estar reunidos durante duas semanas em Hobart para discutir a criação de áreas marítimas protegidas nos mares da Antártida.

Grandes santuários marinhos foram já criados na Antártida, nomeadamente uma zona de mais de 1,55 milhões de quilómetros quadrados no mar de Ross, o mar mais próximo do polo sul.

Segundo a ministra australiana do Ambiente, Sussan Ley, a nova área marinha protegida iria abranger os “recifes de água profunda e as zonas de alimentação de mamíferos marinhos” da região. Cassandra Brooks, professora auxiliar de estudos ambientais na Universidade do Colorado, Estados Unidos, disse à agência AFP que as alterações climáticas que ameaçam a Antártida — e por consequência os seres humanos — exigem ação urgente para proteger a região. “Há provas irrefutáveis de uma mudança climática (…), que afetam os polos, o oceano”, sublinhou.

Daniel Bray, professor catedrático de política na Universidade de La Trobe, em Melbourne, defendeu que se a criação da nova área protegida for mais uma vez rejeitada, a comunidade internacional deverá mudar de atitude sobre os direitos de pesca da China na região.

Foto Reuters