#EconomiaCircular: 14. Graus quer capacitar pessoas e empresas para mudar o futuro do planeta

#EconomiaCircular: 14. Graus quer capacitar pessoas e empresas para mudar o futuro do planeta

A Economia Circular está, hoje, subjacente em muitas empresas. Produtos sustentáveis, amigos do ambiente e com um ciclo de vida longo são, cada vez mais, uma opção. Há também quem ponha em prática estes conceitos e desenvolva os seus próprios produtos. Com o objetivo de dar “voz” a projetos de cariz sustentável, a Ambiente Magazine irá, todas as semanas, apresentar algumas iniciativas aos nossos leitores e dar a conhecer o que se faz em Portugal nesta área. Esta semana, partilhamos o projeto “14.Graus”.

Arrancou em novembro e tem como missão, através das redes sociais, capacitar as pessoas para melhorar o futuro do planeta. Para isso, “estamos a criar uma comunidade de pessoas que querem ser mais sustentáveis e que querem evoluir passo a passo”, começa por explicar Tiago Andrade, fundador da 14. Graus, destacando que existe uma “perspetiva solucionista”, onde “tentamos evoluir na nossa própria sustentabilidade” à medida que “partilhamos tais passos com os nossos seguidores”. Desta forma, o responsável afirma que a diferença deste projeto assenta no facto da equipa não ser efetivamente “especialista”, mas sim por utilizarem uma “linguagem simples e corrente”, de forma a atingir mais pessoas, sendo isso aquilo o planeta mais precisa. Uma vez que o foco deste projeto assenta em “soluções”, foi criada uma “loja online” com o objetivo de “tornar mais acessível os produtos sustentáveis”, desde a “higiene até à roupa”, onde “as pessoas podem ter soluções do dia-a-dia sustentáveis”, adianta.

Em termos ambientais, Tiago Andrade afirma que, numa primeira fase, “qualquer mudança para uma opção mais sustentável que um seguidor faça é um objetivo cumprido”. Depois disso, esse seguidor pode influenciar amigos e família a também mudarem os seus hábitos: “Temos um workshop para falar com os seguidores sobre ´como falar com amigos para eles serem mais sustentáveis´. Acreditamos que são estas correntes sociais que mudam o mundo para melhor”, refere. Para complementar tudo isto, a loja online da 14. Graus disponibiliza “dezenas de opções sustentáveis” para aqueles que querem ter melhores hábitos, assegura.

Influenciar  todas as pessoas, desde o público em geral até às empresas

Desde novembro até à data o feedback não podia ser melhor: “Temos crescido imenso no Instagram, a loja está com muitas vendas e com dezenas de marcas sustentáveis e agora os workshops aproximam-nos imenso das pessoas”, refere. Tiago Andrade não tem dúvidas de que as pessoas, na generalidade, identificam-se com a ideia da sustentabilidade não fundamentalista: “A maior parte quer ser mais sustentável, mas ninguém é perfeito. É preciso aceitar que cada passo é importante e focarmo-nos nas coisas boas”, sustenta.

O futuro é assim visto com grande otimismo: “Agora que as redes sociais estão a evoluir muito bem, temos como objetivo trazer a loja para mais pessoas. Muitas pessoas ainda desconhecem que temos a loja, porque o nosso objetivo principal foi criar a comunidade”. É ainda ambição desta equipa lançar uma consultora para empresas que querem ser mais sustentáveis: “É tentar influenciar ao máximo todas as pessoas, desde o público em geral até às empresas”, declara.

Há grandes oportunidades para novas empresas que queiram satisfazer estes clientes

Olhando para as temáticas da economia circular, Tiago Andrade reconhece que “Portugal está no caminho” e a prova é que na sua liderança da União Europeia a “ação climática” está no centro de todos os debates. No entanto, quando comprado, por exemplo, com outros países nórdicos, Portugal precisa de trabalhar mais: “Falta um plano sólido, que crie emprego e que nos valorize no panorama mundial (acreditamos que podemos ganhar muito com a turismo verde ou economia verde), mas tem havido várias evoluções, especialmente no setor energético”. Tiago Andrade acredita que um “plano estratégico de como podemos liderar a ação climática no mundo”, seria um passo essencial: “A verdade é que ainda nenhum país pegou nessa bandeira. Temos que perceber que isto tem de ser uma missão global”, defende. De acordo com o responsável, “há sempre um país que vai à frente” e que acaba por servir de “teste” para todos os outros, sendo para aí que “todos os olhos estarão virados” e, portanto, por essa via, pode ser criada uma grande mais valia para Portugal: “A nossa economia pode ganhar muito se nos tornarmos ambientalmente sustentáveis”, sustenta.

Relativamente ao contexto atual marcado pela Covid-19, Tiago Andrade acredita que a pandemia “deu tempo para muita gente pensar naquilo que é mais importante nas suas vidas”, sendo que a “sustentabilidade ambiental foi um tema que ganhou muita visibilidade”. Na visão do responsável, quando há “um grande interesse da população numa área”, as empresas e os governos tendem a “adaptar-se rapidamente para aproveitarem as novas oportunidades”, embora, “nem sempre da melhor forma”. Ainda assim, “acreditamos que há grandes oportunidades para novas empresas que queiram satisfazer estes clientes”, acrescenta.

Quais as perspetivas para daqui a 10 anos?

Penso que há duas hipóteses para nós daqui a 10 anos:

  • Seguimos com as regras que acordámos no Acordo de Paris. Investimos muitos milhões para tal acontecer, mas o retorno financeiro não será assim tão grande. Em 2030 apercebemo-nos que temos que fazer um esforço muito maior e os políticos virão falar duma urgência climática que vai custar muitos mais milhões à economia.

  • Antecipamo-nos e investimos no que realmente pode fazer a diferença. Identificamos os maios causadores de emissões de CO2 (TAP, EDP, Galp e outros) e planeamos uma transição energética. Investimos em projetos privados que beneficiam a economia e o ambiente (agricultura regenerativa ou agricultura vertical, por exemplo). Investimentos nas exportações de energia e alimentos, eficiência energética e turismo verde. “Vendemo-nos” lá fora como um país na vanguarda da ação climática e apostamos em ser o primeiro país ocidental que é considerado neutro em carbono (o Butão, na Ásia, já é). Em 2030, somos um dos países admirados no mundo e já estamos a ter lucro com isso, aproveitando as muitas qualidades exclusivas que o nosso país tem.

Cristiana Macedo