Guimarães assegura um “ecossistema de governança” que envolve toda a comunidade no rumo a uma cidade sustentável, inovadora e inteligente

Guimarães assegura um “ecossistema de governança” que envolve toda a comunidade no rumo a uma cidade sustentável, inovadora e inteligente

Desde 2014 que Guimarães assumiu como desígnio o desenvolvimento sustentável, procurando por isso assumir um plano de ação para os diversos indicadores de sustentabilidade.

A iniciativa “Guimarães 2030: Ecossistema de governança” é um exemplo de um “modelo de governança” que foi capaz de trazer para a discussão do território o desenvolvimento sustentável, permitindo o “envolvimento de diversos parceiros” no diagnóstico ambiental e no planeamento de ações que resultam na “melhoria efetiva dos diversos indicadores ambientais”. Quem o diz é Sofia Ferreira, vereadora do Ambiente do município de Guimarães, que olha para a iniciativa como sendo também “modelo inovador” que responde aos “principais desafios da sociedade” através do incremento da participação pública na conceção, desenho e proposta de soluções: “É um modelo participativo que intenta contribuir para o fomento de políticas sustentáveis, olhando para o território de uma forma holística, pugnando pela melhoria da consciência ecológica dos cidadãos que resultará na transformação dos cidadãos”.

A cidade tem levado a cabo vários projetos de cariz sustentável e todos com a preocupação de procurar a ação participativa. Sofia Ferreira destaca o trabalho que que tem sido feito na promoção do património natural, como o caso da “nova Ecovia do Ave”; a redescoberta de novos “paraísos naturais” através de projetos de Educação Ambiental como o projeto “Lagoas e Charcas do rio Ave” ou a nova “Rota da Biodiversidade” que se encontra em fase de conclusão e que contribuirá para incrementar o “corredor ecológico”, que será mais uma ação no âmbito do processo de classificação da “Montanha da Penha” como paisagem protegida de âmbito local. Na área dos resíduos, destaque para a implementação e alargamento do projeto PAYT ou dos outros projetos de recolha e valorização de resíduos como o “EcoPontas” e o “PapaChicletes” ou a valorização de resíduos verdes e castanhos, todos eles incluídos numa estratégia mais abrangente como o “Guimarães For Circular Economy (G4CE)”. Um outro projeto que merece igual atenção é o das “Bacias de Retenção” que, segundo a responsável, mostraram a adaptação da cidade às alterações climáticas e ao flagelo das inundações e cheias na zona da baixa da cidade ou, ainda, a “Academia de Ginástica”, procura servir de exemplo para a responsabilidade que os municípios também têm na diminuição da sua pegada carbónica, nomeadamente aquando da construção dos edifícios públicos.

Com a “nova Ecovia do Ave”, Guimarães reforça assim a aposta na valorização do seu património natural: “É mais um exemplo deste ecossistema de governança, em que precisamos de envolver toda a população, desde os autarcas locais aos cidadãos, à academia ou às instituições parceiras do município”. Dessa forma, o contributo não será apenas para a melhoria e preservação dos nossos recursos hídricos, mas também para uma aposta efetiva no turismo de natureza, na criação de novas acessibilidades e para o pleno usufruto do rio por parte de todos. É por isso que a valorização do património natural é determinante: “Queremos continuar a demonstrar que Guimarães, a par do seu valoroso património cultural, tem um património natural que importa conhecer, valorizar e deixar como legado para as gerações vindouras”.

Na área dos resíduos, a cidade já tem em execução, desde 2016, um plano estratégico para a Economia Circular (G4CE – Guimarães For Circular Economy) que, segundo a vereadora do Ambiente, tem sido alvo de reconhecimento nacional e internacional por contribuir para uma gestão eficiente de recursos, com o envolvimento dos cidadãos e do setor privado. Também em 2019, Guimarães já havia subscrito o compromisso relativo à redução dos plásticos de uso único no Fórum Ambiental da Rede EuroCities, uma rede que reúne mais de 130 cidades. Por isso, a assinatura da “Declaração Europeia das Cidades Circulares”, onde Guimarães foi a primeira cidade a fazê-lo, é fruto do trabalho que tem sido feito e da constante preocupação de continuar a lutar por uma economia circular, refere. O plano estratégico para a Economia Circular e outras iniciativas do âmbito são assim, claramente, influenciadoras para aumentar a consciencialização dos cidadãos. Um bom exemplo disso foi o projeto Aqualastic, que alertou para a necessidade de alterar os padrões de consumo e para o impacto dos plásticos nos ecossistemas aquáticos ou a recente distribuição de sacos compostáveis e de pano no mercado municipal e o projeto de recolha de máscaras (descartáveis e sociais) que contribui para a diminuição deste resíduo em aterro, através da sua valorização.

Construir uma cidade cada vez mais inteligente e sustentável

Já em matérias de inovação, Guimarães está igualmente empenhada ser uma cidade inteligente, apresentando-se, atualmente como um “hub de inovação” ou um “laboratório de futuro”, capaz de oferecer um “espaço vivo de experimentação” a todos os vimaranenses. Ricardo Costa, vereador dos Sistemas Inteligentes do município de Guimarães, afirma que a cidade posiciona-se no caminho de uma Cidade Inteligente e Sustentável, baseado num “modelo de gestão holístico” integrando o município, o tecido económico, as universidades e centros de conhecimento, abrindo o território como um espaço de cocriação e codesenvolvimento à comunidade. Com esta estratégia, Guimarães pretende distinguir-se, concertando os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), os conceitos da sociedade 5.0 e Urban Happiness e com a reabilitação de património. Este modelo, combina infraestruturas físicas de desenvolvimento e produção de conhecimento a metodologias de laboratório vivo para a experimentação, concertando os desafios e o espaço urbano de intervenção, envolvendo todos atores do território ou mesmo as universidades e entidades de investigação e desenvolvimento, as empresas, e ainda outras cidades e regiões. Exemplo disso são os projetos transformativos como a expansão da Universidade do Minho para a zona de couros ou a passagem de Unidade Operacional a Instituto da Universidade das Nações Unidas, transformando-os em áreas de gestão e produção de conhecimento ou ações inovadoras que permitiram, a instalação de passadeiras de inteligentes. Também o desenvolvimento de um quiosque eletrónico, o “Guimarães ProximCity”, que se apresenta como uma plataforma de tecnologia híbrida marketplace e e-commerce que proporciona aos comerciantes uma solução gratuita de venda de produtos e serviços online. A aposta na inovação ambiental e sustentabilidade está igualmente patente na estratégia municipal: “Guimarães é hoje palco de soluções e infraestruturas cutting-edge, como é o caso dos os sistemas de monitorização da qualidade do ar e do ambiente acústico, da qualidade da água ou a mobilidade sustentável com a implementação de medidas que visam a mitigação dos efeitos resultantes das alterações climáticas, tornando o território mais resiliente”. É assim objetivo construir “uma cidade cada vez mais inteligentes e sustentável”, num processo que envolve os “verticais da estratégia municipal”, que vão desde o desenvolvimento à mobilidade sustentáveis, desde a qualidade do espaço público à valorização e gestão do conhecimento ou na promoção do desenvolvimento económico e social à qualidade, eficácia e eficiência dos serviços públicos. E com isto ser uma cidade que proporciona um “território sustentável e de eleição, para se viver, trabalhar, investir e visitar”, em resultado das oportunidades tecnológicas, empresariais, sociais, educacionais, turísticas e culturais, sustenta.

O futuro assenta acima de tudo na transformação do território a par da transformação do cidadão, procurando sempre que todas as estratégias apresentem um “cunho participativo” e onde seja fundamental a “ligação entre a autarquia e a academia”, e onde o desenvolvimento sustentável equilibre os seus três pilares: social, económico e ambiental, remata.

Este artigo foi publicado na edição 87 da Ambiente Magazine.