João Galamba: “Portugal pode ser conhecido como o país das eólicas”

João Galamba: “Portugal pode ser conhecido como o país das eólicas”

O Museu do Oriente, em Lisboa, foi palco para a Grande Conferência “Água&Energia”, promovida pela ADENE – Agência para a Energia, com o objetivo de lançar o debate nacional sobre a eficiência energética e hídrica no edificado. Este debate reuniu vários representantes dos setores da água, da energia e dos edifícios, bem como a participação do Ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e do secretário de Estado da Energia, João Galamba.

“Portugal pode ser conhecido como o país das eólicas”, assim o disse João Galamba na sessão de abertua da Grande Conferência. O dirigente considera “um grande feito” o facto de, “durante o mês de março deste ano, a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis” ter excedido as necessidades de consumo do território continental do país. “30% da produção elétrica é assegurada a partir de fonte hídrica e a hídrica representa 50% de toda a produção de eletricidade renovável”, acrescenta João Galamba.

Numa altura em que tanto se fala dos “desafios do armazenamento da energia renovável”, o secretário de Estado da Energia considera que as barragens reversíveis são “hoje a única forma efetiva de armazenamento no nosso país”. E em Portugal, “perante a grande variabilidade sazonal que se verifica”, a questão do armazenamento de energia em barragens reversíveis é “absolutamente crucial”. Segundo o responsável, a “interdependência entre a água e a energia é uma questão dramática em anos de seca”. Recordando as consequências da seca do ano passado, onde Portugal registou uma “redução em mais de 50% em produção hidrelétrica” e um “aumento das importações e de 31% das emissões de CO2” em relação ao ano 2016, João Galamba sublinha que, “sem a possibilidade das barragens, as consequências da seca seriam bem piores”.

Face ao último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, que definiu o objetivo de “limitar o aquecimento global a 1.5 graus acima da era pré-industrial” e no qual a União Europeia “aumentou o seu objetivo de energia renovável para 32% para o ano 2030”, o secretário de Estado da Energia considera que “Portugal respondeu a esse desafio com iniciativas ambiciosas”, como foi o caso do “Roteiro para a Neutralidade Carbónica para 2050”, apresentando na semana passada, e o “Plano Nacional da Energia e do Clima 2030 que ficará finalizado no final do mês”. Para o dirigente, estes dois documentos traduzem o “compromisso do país com uma trajetória ambiciosa de descarbonização da economia”.

De facto, Portugal já fez um “extraordinário” caminho no aproveitamento das suas fontes renováveis. “Um investimento na grande hídrica ao longo de décadas e na eólica nos últimos 15 anos” permitiu a Portugal reduzir a “elevadíssima dependência energética do exterior”. No entanto, ainda “3/4 (três quartos) da energia que hoje consumimos é importada”. Neste sentido, segundo João Galamba, o “caminho é longo e requer um investimento coerente e reforçado nas energias renováveis, na eficiência energética e na mobilidade elétrica”.

Para o secretário de Estado da Energia, também muito importante para este desafio é “ter cidadãos mobilizados” para a Transição Energética “porque reconhecem que se trata de uma oportunidade e não de uma ameaça. A transição energética significa mais emprego e mais investimento” e “significa ainda energia mais barata do que a alternativa fóssil”, explica.

Mas cidadãos mobilizados também “têm de ser informados e conscientes” e a importância da literacia energética também foi destacada nas palavras de João Galamba. O lançamento na conferência da CINERGIA (Centro de Informação para a Energia) justifica-se uma vez que “vai dar a conhecer a todos os cidadãos consumidores de energia uma visão integrada, didática e interativa do setor energético”.

Em jeito de conclusão, João Galamba alerta para os grandes desafios esperados mas considera que, “temos os mecanismos e as políticas necessárias para fazer esse caminho” e para “deixar marca positiva, duradoura”, além de uma “sociedade mais informada e interessada,não só pela energia, mas também pela água”.

Cristiana Macedo