Julho foi um mês seco e frio, indica boletim da Lisboa E-Nova

Julho foi um mês seco e frio, indica boletim da Lisboa E-Nova

Categoria Ambiente, Energia

O mês de julho, em Portugal continental, classificou-se como frio e seco, segundo o boletim mensal informativo do Clima e Energia, partilhado pela Lisboa E-Nova.

O boletim relativo ao mês de julho indica que o valor médio da temperatura média do ar, 21,54°C, foi 0,63°C inferior ao valor normal 1971-2000, sendo o quinto valor mais baixo desde 2000. O valor médio da quantidade de precipitação em julho, 3,7 mm, foi inferior ao valor normal 1971- -2000, correspondendo a apenas 27%.

De acordo com o índice PDSI (Palmer Drought Severity Index), citado pela Lisboa E-Nova, no final de julho mantém-se a situação de seca meteorológica. No final do mês a distribuição percentual por classes no território era a seguinte: “2,4% chuva fraca, 39,5% normal, 34,2% seca fraca, 19,5% seca moderada e 4,4% em seca severa”, refere o boletim.

Armazenamento em Albufeira:

No final de julho, comparativamente ao mês anterior, verificou-se uma “descida no volume armazenado em todas as bacias hidrográficas”. Sem prejuízo, “os armazenamentos por bacia hidrográfica apresentavam-se superiores às médias de armazenamento de julho (1990/91 a 2019/20), exceto para as bacias do Lima, Mira e Ribeiras do Algarve”, refere o mesmo boletim.

Produção e consumo de eletricidade:

Tal como indica o boletim, o consumo de energia elétrica recuou 3,2% em julho, face ao período homólogo, penalizado por temperaturas abaixo do normal para a época. A produção renovável abasteceu 65,8% do consumo de energia elétrica: hidroelétrica (30,3%); eólica (25,6%); biomassa (6,6%) e fotovoltaica (3,3%). A produção não renovável abasteceu 29,6% do consumo: gás natural (27,4%) e carvão (1,7%). Os restantes 4,5% foram garantidos pela importação.

Mercado de eletricidade: 

Relativamente, ao preço da eletricidade produzida no dia 21 de julho, o boletim dá nota que foi o mais alto desde que Portugal e Espanha arrancaram com um mercado ibérico (Mibel) em 2007. Em julho, o preço médio aritmético no mercado grossista em Portugal foi de 92,60 €/MWh, o que representa uma variação homóloga (face a julho de 2020) de +167%. Julho de 2020 liquidou em 34,63 €/MWh, e durante todo o ano de 2020 os preços médios mensais situaram-se abaixo dos 45 €/MWh.

Como se explica esta escalada de preços em 2021?

De acordo com o boletim informativo, assiste-se ao efeito combinado do aumento da procura com outros fatores de mercado que influenciam fortemente o preço de produção. A valorização do preço do gás natural (agravada na Europa por baixos níveis de reservas) é uma das razões pelas quais o preço da eletricidade tem registado sucessivos aumentos. Adicionalmente, os preços do mercado de licenças de emissões na Europa estão também em máximos históricos. Desde o início do ano, o preço dos direitos de emissão praticamente duplicou. Esta situação está a afetar a generalidade dos mercados de eletricidade na Europa.

Licenças de emissão: 

O preço das licenças de emissão oscilou, em julho, entre 50 e 57 €. Trata-se do primeiro mês de 2021 em que não se verifica uma tendência acentuada de subida, segundo o boletim da Lisboa E-Nova.