Novo Verde: “2022 será um ano de transição” para o setor dos resíduos

Novo Verde: “2022 será um ano de transição” para o setor dos resíduos

Categoria Ambiente, Resíduos

Em 2020/21, cada habitante produziu cerca de 1,4 quilogramas de resíduos urbanos por dia. 64% do total de resíduos urbanos produzidos no ano passado teve como destino (por via direta e indireta) a deposição em aterro. Apenas 9% teve como destino a reciclagem. Estes números, que dizem respeito a todas as tipologias de resíduos urbanos, onde se incluem também as embalagens, pertencem ao Relatório de Estado do Ambiente 2020/21, publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente. Apesar do cenário não ser o mais positivo, há boas notícias e, de acordo com os dados oficiais, ao nível do fluxo específico das embalagens, os portugueses estão de parabéns.

Em entrevista à Ambiente Magazine, Pedro Simões, diretor-geral da Novo Verde, precisa que, Portugal, em 2021, reciclou 63% das 1,77 milhões de toneladas de embalagens colocadas no mercado e valorizou 72%: “Por material, apenas o vidro e os metais, registaram uma taxa de reciclagem de 56% e de 46%, abaixo das metas de 60% e de 50%, respetivamente. As taxas de reciclagem dos materiais papel/cartão (71%), plástico (36%), e madeira (91%), ultrapassaram as suas metas de 60%, 22,5% e 15%”. Neste balanço, o responsável destaca ainda que 2021 ficou marcado por uma “alteração legal, com entrada em vigor a 1 de julho de 2021, ao UNILEX, diploma que unifica o regime da gestão de fluxos específicos de resíduos sujeitos ao princípio da Responsabilidade Alargada do Produtor, onde se encontra o fluxo específico das embalagens e resíduos de embalagens”. 2021 encerrou ainda um “ciclo da última geração de licenças das Entidades Gestoras de Fluxos Específicos”, tendo-se dado já os “primeiros passos”, através da criação de um “Grupo de Trabalho, para a definição das principais linhas orientadoras das novas licenças destas Entidades Gestoras”, acrescenta. No que à reciclagem diz respeito, Pedro Simões adianta que os portugueses encaminharam para reciclagem no total, através do SIGRE, “mais de 470 mil toneladas”, ou seja, “mais 8,2% face ao ano 2020”. E algo que parece ter contribuído para tal feito foi a “recolha seletiva”, que “aumentou 6,4% face a 2020”, tendo este fluxo enviado para reciclagem “mais de 435 mil toneladas”. Também, o material plástico, recolhido através dos ecopontos amarelos, registou um dos “maiores e significativos aumentos”, com cerca de “mais 14% em relação ao ano anterior”, ou seja, “mais 9 mil toneladas que em 2020”, especifica.

Ao nível das atividades e projetos que marcaram o ano 2021, Pedro Simões destaca a “expansão da rede de recolha própria da Novo Verde”, como por exemplo, projetos que incentivam a recolha e reciclagem: “Sistemas como o Reverse Vending Machines (RVM) já deu evidências de que este é o caminho para o cumprimento das metas ambiciosas que o país tem pela frente”. O “Minuto R”, ação lançada com a CNN, é uma rubrica que pretende esclarecer os portugueses sobre tudo o que diz respeito ao processo de reciclagem de embalagens: “Ao longo de 25 episódios de um minuto, esclarecemos as dúvidas permanentes dos consumidores, revelámos boas práticas, explicámos a importância da reciclagem de embalagens, e assinalámos as novas tendências que vão marcar os próximos anos em matéria de reciclagem de embalagens”, explica. Outro projeto que marcou o ano 2021 foi o lançamento do “Novo Verde Packaging Enterprise Award”, um prémio na área de I&D que identifica e implementa o melhor projeto sobre um conjunto de temas inerentes ao âmbito de atuação da entidade e dos seus aderentes, destinado à indústria, distribuição, universidades e áreas tecnológicas relacionadas com embalagens em Portugal.

O Vidro é o material que mais esforço terá que imprimir para atingir a meta de 75% em 2030

Apesar da pandemia ter sido um dos maiores desafios que a Novo Verde tem enfrentado nos últimos tempos, Pedro Simões lembra o desafio que Portugal tem nos próximos 10 anos: “As metas de reciclagem. Até 2025, terá de reciclar, pelo menos, 65% em peso do total de resíduos de embalagens. Até 2030, o limite passa para 70%”. Estes objetivos, no entender do diretor-geral da Novo Verde, colocam desafios de “grande complexidade”, que exigem respostas adequadas: “Para lá chegarmos, é fundamental a participação de todos na hora de separar os resíduos, sendo que o Vidro é o material que mais esforço terá que imprimir para atingir a meta de 75% em 2030”. Mas, apesar dos desafios, há oportunidades que não podem ser desperdiçadas, nomeadamente, a “revisão do quadro das novas licenças” da Entidades Gestoras: “Este será fulcral para o desenvolvimento do setor e, acima de tudo, deverá servir como garante da estabilidade que não foi conseguida no quadro atual, fruto de textos de licenças dúbios e implementação de mecanismos de compensação que não estão alinhados com as próprias licenças e legislação”. Ainda ao nível das oportunidades, Pedro Simõs acredita que 2022 será um “ano de transição” para um “novo paradigma de sistemas de recolha alternativos, mais eficientes, para fazer face às exigentes metas de reciclagem, de novas tecnologias de triagem para a segregação de novas embalagens e de novos processos de reciclagem que facilitem a incorporação de reciclados de alta qualidade em novos produtos”. Por este motivo, importa lançar as “bases” para que tal possa acontecer: “Esta transição só será possível através da conceção de embalagens pensadas em todo o seu ciclo de vida”.

É precisamente com os olhos no futuro que Pedro Simões assegura que a Novo Verde está confiante para o ano 2022, lembrando que a entidade opera no SIGRE (Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens) desde 2017, ano em que introduziu, pela primeira vez em Portugal, o fator da concorrência no setor: “É graças à concorrência existente neste setor que hoje em dia um embalador ou importador de embalagens tem a possibilidade de escolher mais do que uma entidade gestora de um Sistema Integrado, no momento de transferir a sua responsabilidade pela gestão das embalagens que coloca no mercado”.

O que desejam para 2022?

“Para o setor dos resíduos, em geral, é urgente inverter a tendência de deposição em aterro. Para o setor da reciclagem, em particular, desejamos contribuir cada vez mais para o cumprimento das ambiciosas metas de reciclagem definidas para o país”.

Cristiana Macedo