Opinião: “Como tornar o setor avícola mais amigo do ambiente”

Opinião: “Como tornar o setor avícola mais amigo do ambiente”

Como qualquer outra atividade, a produção avícola deverá garantir o desenvolvimento sustentável e seguir um modelo de produção que tenha como objetivo atingir as exigências do presente, sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades.

Neste sentido, a avicultura sofreu uma evolução significativa, tendo-se tornado numa atividade, que apesar de manter uma classificação agropecuária, apresenta um elevado grau de automatização, o qual permite gerir o processo, controlar eficazmente os inputs e outputs e reduzir os desperdícios, quer de matérias-primas, assim como de energia. Nesta temática em particular, o Grupo Lusiaves, conta por exemplo, com mais de 20 mil painéis solares instalados nas diversas unidades que permitem diminuir em mais de 1900 toneladas anuais as suas emissões de CO2, contribuindo assim para uma indústria mais sustentável. Para além do controlo do processo, a automatização permite ainda garantir a manutenção das boas práticas de maneio, as quais apresentam uma relação direta com a prevenção e minimização dos impactes ambientais. Uma aposta inserida na temática da indústria 4.0, na qual o Grupo Lusiaves é um case study neste setor.

Entre os principais impactes ambientais caraterísticos desta atividade, destacamos a emissão de gases produzidos pela degradação das camas no decorrer do processo produtivo. Esta degradação e respetiva libertação de gases, é tanto maior, quanto maior for o grau de humidade das camas. Neste sentido, o facto de os pavilhões avícolas apresentarem um sistema de ventilação adequado e controlado automaticamente, é um aspeto bastante positivo para a manutenção do teor de humidade, permitindo reduzir assim a emissão e libertação dos referidos gases.

Ao nível do consumo de recursos naturais, a redução do consumo de água no abeberamento das aves, é possível, quer através da manutenção das temperaturas adequadas no interior dos pavilhões avícolas, situação muito ligada às condições de ventilação, quer através de uma gestão nutricional adequada à idade das aves. Ainda ao nível da gestão da água, destaca-se a utilização de equipamentos de lavagem sob pressão nas atividades de limpeza dos pavilhões avícolas. Desta forma, garante-se a eficácia da lavagem, não pelo volume, mas sim pela pressão da água, evitando assim impactes ambientais associados ao desperdício de água.

Por outro lado, e tendo por base a economia circular, esta atividade permite também utilizar os subprodutos de outras atividades como matéria-prima, como é o caso da utilização de casca de arroz para fazer a cama das aves. Esta situação permite minimizar o impacte ambiental associado, tanto no que se refere ao tratamento de um subproduto que teria de ser tratado, como minimizar o impacte associado à utilização de um outro produto a ser retirado da natureza. Uma avicultura amiga do ambiente não significa apenas prevenir ou minimizar os impactes ambientais da atividade, mas sim, garantir que os recursos são utilizados na sua rentabilidade máxima, preocupação presente em toda a estrutura da cadeia de valor do Grupo Lusiaves

Ao nível dos outputs do processo avícola, destacamos a utilização indevida das camas das aves em processos de valorização agrícola, como sendo a principal causa para a contaminação do solo e recursos hídricos. A este nível, é preciso garantir o encaminhamento das camas das aves (estrume avícola), para unidades que garantam o seu tratamento adequado, reduzindo a sua carga orgânica previamente à sua deposição no solo. Este subproduto, quando corretamente gerido, pode constituir uma fonte importante para a agricultura, constituindo um importante corretivo para os solos.

Em suma, todas as atividades de produção animal, em maior ou menor grau, provocam impactes ambientais. O nosso principal objetivo é continuar a avaliar e a desenvolver novos métodos de produção, que nos permitam prevenir e minimizar estes impactes. Só assim, poderemos garantir a sustentabilidade desta atividade.

Por Engª Helena Coelho, Responsável de Ambiente do Grupo Lusiaves