“Os oceanos não são permanentemente regeneráveis e é urgente protege-los”

“Os oceanos não são permanentemente regeneráveis e é urgente protege-los”

“Persiste a ideia de que os oceanos são um sistema permanentemente regenerável. Não são”. O aviso é de Tiago Pitta e Cunha, especialista em políticas do oceano e assuntos marítimos, que representou Portugal na Assembleia Geral da Convenção do Direito do Mar das Nações Unidas, ao jornal Sol.

O especialista na chamada “economia azul”, que defende há décadas que o futuro de Portugal passa pelo mar, alerta que o “desiquilíbrio ambiental do sistema dos oceanos, da sua biomassa e de toda a cadeia trófica podem deixar de existir dentro de 30, 40 anos”. A explicação é simples: “Estamos a ficar sem os predadores, como tubarões, atuns, entre outros, e isso provoca um desequilíbrio tremendo em toda a cadeia”.

A sustentabilidade ambiental do mar será, precisamente, o ponto em que Pitta e Cunha irá centrar a sua intervenção na Conferência dos Oceanos, marcada para domingo ( a partir das 11h), no Museu do Mar Rei D. Carlos, em Cascais, explicou o cientista ao Sol.

O relatório da ONU contou com um painel de especialistas de todo o mundo e alerta para a pressão perigosa sobre os mares, resultante da atividade pesqueira e dos transportes maritímos, a necessitar “urgentemente” de melhor gestão para proteção dos recursos. E é neste ponto que Portugal tem uma “tremenda responsabilidade e uma oportunidade”, salienta Pitta e Cunha.

“Somos como uma ‘power house’, temos a maior área de jurisdição marítima da Europa e estamos entre os 10 e 15 maiores do mundo”, nada menos do que quatro milhões de quilómetros quadrados, concluiu.