Portugal Smart Cities: “As cidades sabem bem interpretar aquilo que é a obrigação de sermos neutros em 2050”

Portugal Smart Cities: “As cidades sabem bem interpretar aquilo que é a obrigação de sermos neutros em 2050”

“Três dias após a COP26 (Cimeira Mundial sobre Alterações Climáticas), torna-se muito evidente a relevância que as cidades têm na concretização dos objetivos do clima. E torna-se mesmo muito relevante a evidência que as cidades sempre tiveram na construção das transformações da história, sabendo nós que a criatividade é essencial nessas mesmas transformações”. Este foi o ponto de partida para o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, reforçar o grande desafio que as cidades têm pela frente, nomeadamente aquelas que querem ser famosas pelo seu compromisso com o clima, com os seus cidadãos, com a transformação da vida nas próprias cidades em prol de uma sociedade neutra em carbono que regenera recursos e, que, ao mesmo tempo, seja capaz de criar bem-estar e gerar riqueza.

O chefe da pasta do Ambiente, que falou esta terça-feira, 16 de novembro, na sessão de abertura do Portugal Smart Cities 2021, que decorre até ao dia 18 de novembro, quinta-feira, na FIL (Feira Internacional de Lisboa), não tem dúvidas de que, neste esforço, “as cidades e as autarquias sabem bem interpretar aquilo que é a obrigação que todos temos de sermos neutros em 2050” e, ao mesmo tempo, são “as únicas capazes de fazer a ponte entre esta obrigação e a transição ser justa”, escolhendo as “políticas mais certas” para os territórios urbanos: “Só assim conseguimos fazer este caminho”.

Outro alerta do ministro é que as novas políticas de mobilidade não podem favorecer aquilo que é o transporte individual: “Não pode ser e não há volta a dar. A oferta de transportes coletivos em cidades como Lisboa e Porto é a mesma de há dois anos e a procura é apenas de 60%”. Matos Fernandes apela à necessidade de “sermos capazes de conduzir políticas que promovam a utilização do transporte coletivo” e, nesta “falta de vontade” por parte dos cidadãos, é “essencial favorecer o transporte coletivo e de mobilidade suave”. Tal, obriga a um “grande esforço” e a uma “grande tensão”, sendo que o “apelo” deve ser feito às autarquias, mas também às empresas: “Estou convencido que as indústrias, em Portugal, já têm claro que, se não descarbonizarem, vão sair do mercado”. E a prova disso é que “a exigência que é feita é cada vez maior”, alerta, acreditando que “é claro para as indústrias este esforço de descarbonização”, como tem de ser claro, da mesma forma, para o mundo financeiro: “Há cada vez mais exigência na cor do portfólio que têm dos seus clientes e empréstimos que fazem”, afirma o ministro do Ambiente, reforçando que “a banca tem de estar alinhada em colocar os seus fluxos financeiros a pensar naquilo que são os objetivos do Acordo de Paris”.

Por fim, Matos Fernandes acredita que o melhor sistema capaz de responder ao “esforço complexo” que é pedido aos cidadãos é o da “democracia liberal”, que tem de olhar para todos e fazer uma “transição sem deixar ninguém para trás”, mas “sempre com os olhos no futuro”.

Nunca é demais dizer que as autarquias são a génese de tudo

Por seu turno, Jorge Rocha de Matos, presidente da Fundação AIP, também quis partilhar aquela que tem sido a aposta no Portugal Smart Cities por parte da entidade e pelos parceiros estratégicos e que radica, acima de tudo, no facto da “economia dos países e das regiões se polarizar nas cidades e nas suas regiões envolventes”, que já albergam mais de metade da população mundial, prevendo-se que, “no horizonte de 2050 possam acolher cerca de 65% da população, a par de um forte crescimento das grandes mega cidades”.Tão verdade é que “as cidades são grandes catalisadoras das dinâmicas económicas, sociais e tecnológicas atuais, mesmo quando falamos da agenda digital, da sustentabilidade e do tema da reindustrialização”, acrescenta.

O presidente da Fundação AIP não quis deixar de sublinhar que, no desafio de relançar Portugal, as autarquias têm um papel essencial, nomeadamente o de se criarem cidades mais inteligentes e competitivas”, tornando o país “mais competitivo no quadro europeu”. E nesta matéria, “nunca é demais dizer que as autarquias são a génese de tudo o que é importante e que existe para desenvolver nos países”, sucinta.

Com o arranque do Portugal Smart Cities 2021, Jorge Rocha de Matos está convencido de que é o início de uma “nova era” e um desafio para todos: “Os desafios do Portugal Smart Cities são também os desafios para retomarmos o crescimento com uma economia mais inteligente, um ambiente mais inteligente, uma mobilidade mais inteligente, governos mais inteligentes, pessoas mais inteligentes e vidas mais inteligentes”.

Cristiana Macedo, no Portugal Smart Cities Summit 2021, em Lisboa